Cada vez mais insensíveis ao sofrimento que grassa nos campos de batalha da Ucrânia, vamos deixando de contabilizar os milhares de ucranianos e russos que morreram ou ficaram feridos e os milhões que tiveram de fugir das áreas invadidas. E sentindo e lamentando a inflação, a subida das taxas de juro e a austeridade a que estamos sujeitos, as opiniões públicas europeias raramente questionam as causas destes factos, considerando-os, quase sempre, consequências nefastas desta guerra.
Melhor armada pelo Ocidente e menos amputada no seu território, a Ucrânia parece estar a vencer a guerra pela sobrevivência como país independente. E condenada por cada vez mais países, entre os quais os de língua portuguesa, a Rússia dá sinais de dificuldade numa saída airosa desta invasão que inicialmente qualificou de simples operação especial, mas que se converteu em intervenção militar, com elevados custos sociais e políticos para ela.
Nas últimas semanas, aos avanços militares ucranianos e ao reforço da postura defensiva e dissuasiva da Aliança Atlântica, a Federação Russa contrapôs a escalada da guerra. E esta, agora, depois de imposta uma mobilização parcial e a lei marcial nos territórios por ela anexados ilegalmente, acaba por recuar as suas forças em Kherson e desmobilizar estudantes de Donetsk e Lugansk!
O perigo de uso de armas nucleares, alimentado pela escalada da guerra, aconselha moderação a ambos os beligerantes e pode ser o indutor da racionalidade que parece lhes ter faltado. E as portas para a via diplomática, entre russos e ucranianos e seus aliados, poderão abrir-se brevemente!
Augurando que a racionalidade norteie as decisões dos líderes da Europa, tanto a leste como a oeste, esperemos que dela resulte acordo para entabular negociações, tendo em vista o cessar-fogo na Ucrânia.