Apostar na União Europeia (UE), apresentando-a ao mundo como exemplo de unidade e defesa dos povos, é uma obrigação de todos os europeus. Quem está atento ao funcionamento, e disfuncionamento do mundo vai-se apercebendo que há uma extrema direita que não se sente bem com a liberdade e com a justiça social, antes aposta em regimes musculados para eliminar valores básicos, em desalinho com o mundo moderno. A história das nações e dos povos, a começar no tempo recente, não deixa dúvidas sobre o aproveitamento que determinadas forças políticas fazem das crises das sociedades onde impera a liberdade, particularmente das crises de carácter económico, para, demagogicamente, abocanhar o poder.
Diz-se que a Europa está a perder a sua unidade e a sua capacidade criativa para ultrapassar as dificuldades que o novo mundo gerou. Em parte, assim é, mas devemos compreender que as crises são naturais na vida das nações. Conviver com as crises e saber como as ultrapassar é o que se exige aos países governados em liberdade, porque não é com a tirania que estas se ultrapassam. Era ótimo termos um mundo bem regulado e sem problemas, mas pensar assim é acarinhar a utopia.
O discurso, no passado dia 16/09, da presidente da Comissão Europeia, Úrsula von der Leyen, sobre o Estado da UE, apontado por uns como um discurso pobre de ideias e, por outros, como um discurso ajustado à realidade do mundo, não esconde problemas e vai ao ponto de afirmar que «a União se encontra numa encruzilhada histórica que se pode considerar paradoxal, já que o seu estado é “o mais forte de sempre”, mas simultaneamente “tão precário como nunca”». Atentos, os membros do Parlamento Europeu, em Estrasburgo, ouviram-na a apontar soluções que não agradaram a todos, não faltando quem afirme que com estes dirigentes dificilmente deixamos de continuara a ser ultrapassados por países e continentes.
Compreendendo-se as críticas contra a apatia da UE, tanto mais que já há estudos com soluções, como é o trabalho de Mário Draghi, ex-presidente do BCE, há que ter bem presente que a Europa, no bom uso dos seus recursos, reúne todas as condições para ultrapassar crises. Infelizmente, o mundo vive num desassossego para o qual não soube preparar-se no tempo devido. Quando as nações mais poderosas são governadas por gente com caraterísticas demenciais, só resta partir para o combate enquanto se aguarda uma nova Ordem Internacional, que a seu tempo virá. Há que ter confiança neste Estado de direto e liberdade em que vivemos, fazendo pela nossa parte o que nos compete.