Nos últimos dias, uns quantos amantes das aventuras no mar resolveram formar uma pequena frota para se dirigirem a Gaza, sob o pretexto de levarem ajuda, dita humanitária, aos palestinianos vítimas da guerra entre Israel e o movimento terrorista hamas. No pensamento destes aventureiros, transmitido ao mundo, estaria a vontade de contribuir para a saúde e o alívio da fome dos gazenses, o que à partida é de saudar, visto que a solidariedade é uma forma de proteger a vida.
Só que não foi tudo dito aos povos! No pensamento dos navegadores estava também a intenção de afrontar o governo de Israel, sabendo de antemão que iriam ter problemas e que não lhes seria permitido o desembarque. Mesmo assim, de peito feito, teimaram em continuar a viagem e, como não poderia deixar de ser, acabaram por ser interceptados pela Marinha de Israel, sendo presos e, ao que se diz, alguns mesmo torturados, sabe-se lá por que razões. Certamente, não estariam a rezar, mas talvez por desafiarem e contrariarem as ordens da autoridade militar.
Claro está que esta ocorrência se expandiu pelo mundo, mais ainda pela gravação e exibição de um vídeo inconveniente nas redes sociais, o que motivou críticas acesas e a intervenção de governos para a libertação dos seus cidadãos. Se não fosse esta a razão para tentar condenar o governo de Israel, teriam arranjado outra para o mesmo fim, disso não tenho dúvidas, porque a verdadeira motivação de navegarem para Gaza nunca foi ajuda humanitária, mas simplesmente lançar anátemas sobre as autoridades israelitas.
Esta e outras flotilhas, no meu ponto de vista, nada têm de humanitário, é preciso dizê-lo! Não passam de disfarces políticos pouco imaginativos que visam comprometer um governo legal, que tudo faz para proteger o seu povo. São, também, verdadeiramente hipócritas. E são-no porque, se passam na rua e vêem pessoas, tanto de outros países como do nosso, de forma andrajosa a pedir esmola, não param para as ajudarem a matar a fome e a sede, através de uma dádiva monetária ou alimentos, mudando até de passeio para evitar o contacto. E entre essas pessoas, poderiam estar alguns naturais de Gaza. É isto que se vê na nossa cidade e noutras por este país fora. Não venham, pois, atirar areia nos olhos! Assim, porquê este triste espectáculo a coberto de humanitarismo? O humanismo merece respeito e não deve, nunca, ser invocado como cobertura de actos radicais.
Não é isto que se passa com pessoas de etnias e nacionalidades variadas? Aconteceu assim com vagas de romenos, mulheres ucranianas e de outros países do Leste da Europa, assim como acontece ainda hoje com a etnia cigana e outros indivíduos da chamada União Europeia, a terra onde corre o leite e o mel!… Afinal, onde se encontra este grande sentimento de humanismo e solidariedade? O que temos é uma agenda radical de extrema-esquerda que tenta dominar os governos, através do recurso a manifestações desta e doutra natureza, já que não o conseguem concretizar por meio do voto. Os cidadãos devem estar atentos a estas manobras que visam a desestabilização de uma sociedade organizada e não se deixarem levar por sentimentos ilusórios de um falso sentimento humanitário.
O povo português é, na sua maioria, pacífico e solidário, e disso não tenho dúvidas. O que me revolta até às entranhas é uma extrema-esquerda radical alucinada que pretende condicionar as políticas do Governo, criando incidentes constantes em todos os campos, e tentar impor uma agenda que não foi sufragada em eleições. Pior, ainda, é o Governo fazer cedências a minorias que não têm significado no panorama político nacional. No caso concreto em análise, o Governo de Portugal foi chamado a intervir para a libertação de dois ou três cidadãos nacionais, o que acabou por dar origem a um problema de relacionamento com Israel, no campo diplomático, absolutamente desnecessário face aos tempos difíceis que o mundo atravessa, criando desconfiança mútua, mesmo que se queira esconder. Ao menos, que tenha a coragem de fazer pagar, por parte dos envolvidos, as despesas de repatriamento. O povo português não pode ser obrigado a sustentar extremistas disfarçados de humanitários.