A França, aqui tão perto!

A França, aqui tão perto!

Dificilmente ouviremos um português a dizer mal da França. Não só pelos seus encantos e uma Democracia sólida, mas porque sempre foi um país hospitaleiro, que soube receber milhões de emigrantes, acolhendo-os com respeito pelos seus direitos e libertando-os de situações de miséria. Que o digam milhares de portugueses, particularmente aqueles que fugiram ao país fechado ao mundo e orgulhoso da sua pobreza, como era Portugal no tempo do Estado Novo. Hoje, quase não há entre nós um emigrante reformado vindo da França que não tenha uma pensão de reforma que lhe dá para viver tranquilamente.

Mas, presentemente, esta França vive uma situação que preocupa toda a Europa da qual fazemos parte. A economia francesa, apesar da muita solidez que ainda se lhe reconhece, tem um conjunto de males que tem dificuldade em superar. Alguns são próprios da Europa no seu todo, que assentam no envelhecimento da população, resultante do seu declínio demográfico, apesar de, desde há muito tempo, na França se terem adotado medidas para estimular o aumento da natalidade.   

A França tem uma dívida de cerca de 3 biliões de euros, estando muito próxima da dívida italiana, sendo esta a maior do Euro e a 5.ª maior do mundo. Só este ano, a França teve um acréscimo na sua dívida que ultrapassou os 300 mil milhões de euros, mais do que o total da dívida portuguesa. Perante este quadro assustador, não falta quem afirme convictamente que a França vai ser alvo do mesmo tratamento sofrido por Portugal e pela Grécia em 2010/2011. Contrariamente, também há os que argumentam com o facto de este país continuar a ser economicamente poderoso, não tendo nada a ver com as domésticas economias de portugueses e gregos.

Mas há razões para perguntar se esta conjuntura nos deve preocupar. Sim, e muito. Uma crise mal controlada em França mexe com toda a economia europeia. Neste momento já se questiona a repartição do dinheiro do Fundo Social Europeu, porque os países financiadores (Alemanha, França, Itália e países Baixos), estão quase todos com crises próprias.

À luz desta realidade, só se pode desejar a Portugal o caminho da estabilidade e do crescimento económico, com políticas sensatas e estudo aturado. Por outro lado, o jogo do aguenta ou caem os governos e veem de novo eleições, que alguns tanto adoram, colide com o quadro preocupante que temos à vista. Se nos abstrairmos desta complexa conjuntura, poderemos caminhar para o pior. E o pior revelou-se com o tempo da Troika, mal de que muitos portugueses jamais foram economicamente ressarcidos. Mas, parece, também já esquecidos.

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