Apesar da diversidade de culturas no mundo, custa a acreditar como frequentemente os conflitos acontecem, quase sempre com pouca ou nenhuma razão. As nações vão criando os seus fóruns, estabelecem acordos, tentam proximidades, mas o mal nunca deixa de acontecer, por vezes, como algo natural, perante a indiferença de quem lhe poderia pôr fim.
Depois da Primeira Guerra Mundial, em 28/06/1919, foi assinado o tratado de Versalhes, com 44 países, para criação da Sociedade das Nações, tendo como principal objetivo assegurar a paz. Com o eclodir da Segunda Guerra Mundial, esta Sociedade, que se manifestou incapaz de a evitar, extinguiu-se em 1942. Porém, com a vitória dos Aliados e a derrota do Nazismo, a Sociedade das Nações, em 18/04/1946, dá lugar à Organização das Nações Unidas (ONU).
Com a criação da ONU e a fundação da Comunidade Económica Europeia, a 25/03/1957, a Terceira Guerra Mundial, que tantos temiam, jamais se verificou, apesar da existência dos dois campos opostos em que se arrumaram os países europeus, a Ocidente e a Leste. Entretanto, a desconfiança reinante levou à criação de pactos militares, entendidos como de defesa: a NATO em 4/04/1949 e o Pacto de Varsóvia em 14/05/1955. Este, diluído em 31/03/1991, na sequência da desagregação dos países socialistas no Leste. Apesar de suficientemente armados – a Nato, com forte contributo dos EUA, e o Pacto de Varsóvia, com a participação maior da ex-URSS – a paz foi-se mantendo, à parte os conflitos regionais.
Acontece que este quadro, que se pode considerar de paz precária, dada a invasão da Ucrânia pela Rússia, pode descambar no pior. Já por duas vezes, em ações de campanha eleitoral, Donald Trump ameaçou que, se for reeleito presidente dos Estados Unidos, “encorajará” a Rússia a fazer o que entender com os países que não cumprem as suas obrigações para com a NATO. A última vez que o fez foi no passado sábado, já depois dos mais poderosos países europeus repudiarem tais afirmações.
Observadores americanos já afirmaram que o mundo não resistirá a mais um mandato de Trump. Se são distintos analistas que assim falam, as comunidades que o planeta comporta têm razões para descrer da paz e de uma decente vivência. O medo nunca foi o melhor estado de espírito para evitar conflitos, mas que há razões para temer o pior, disso ninguém tenha dúvidas. Os extremismos, ou são suficientemente denunciados e combatidos, ou descabam nestas excentricidades, com os piores resultados, universalmente.
GFM