Talvez tenha passado despercebido à maioria da população o alerta feito pelos autarcas que integram a Comunidade Intermunicipal (CIM) do Alto Minho sobre a falta de água na nossa região. Segundo os 10 presidentes das autarquias que compõem esta comunidade, o cenário que se vive no nosso espaço deve ser encarado com preocupação.
Manoel Batista, presidente do Município de Melgaço e, paralelamente, da CIM, apela ao bom senso da população para que seja racional no consumo da água, já que os níveis em reserva estão bastante abaixo do que seria previsto para esta época do ano. Manoel Batista diz que “em alguns sistemas de abastecimento estamos com níveis de água só supostos no final de agosto ou princípio de setembro; e que há captações para produção agrícola que já secaram”.
Ninguém duvidará deste alerta dos municípios da CIM. Só quem anda distraído ou se alheia dos dramas que afetam a natureza é que não crê que estamos perante uma situação grave de seca em todo o espaço nacional, de consequências gravosas para as populações e com reflexos profundos na economia do país. Assustador, contudo, é que o assunto não é de hoje nem de ontem e, tudo indica, será no futuro.
É um problema com décadas, e ainda há pouco tempo aqui o tratamos, lembrando, inclusive, a campanha feita em 1993 pelo ex-ministro do ambiente, Carlos Borrego, quando, em período de seca profunda, promoveu o slogan “a chuva não cai do céu”. Já lá vão 29 anos, depois do tempo em que, no país, se promoveu um debate aceso e dramático sobre a ausência de medidas para bem gerir a água, cada vez mais escassa. Na época, Carlos Borrego até deu o mote para a sua melhor gestão, apontado, entre outras, a solução de a transvasar de onde havia para onde escasseava. Ideias não faltam neste país, o que falta é vontade de trabalhar na sua implementação.
Acontece em Portugal e, com mais ou menos intensidade, no mundo em geral. É bom questionarmo-nos sobre o que está a ser feito pela preservação do planeta, assunto em que tão devotadamente se envolve António Guterres, Secretário Geral da ONU, que não se cansa de dizer que estamos a por em causa a terra que deveríamos acautelar para as gerações futuras. Infelizmente, os que governam o mundo estão mais apostados em mostrar músculo na promoção das guerras com a preocupação de conquistar territórios, esquecendo-se que, dentro de pouco tempo, do território que necessitam é do suficiente para lá caber o esquife que os guardará definitivamente. Se é que pretendem ir para debaixo da terra, ou optam, antes, pelo crematório.
GFM