Alguns apontamentos sobre a Santa Casa da Misericórdia de Viana do Castelo

Alguns apontamentos sobre a Santa Casa da Misericórdia de Viana do Castelo

A irmandade da Misericórdia começou em 1520 e em 1887 sustentava o hospital, recolhimento de S. Tiago e direcção do banco Agrícola e Industrial criado pela própria Misericórdia.

O hospital, foi fundado por D. Manuel I , o Venturoso , que no ultimo ano referido , tinha o movimento de cerca de 300 doentes .

O Recolhimento de S. Tiago tomou conta dele a Misericórdia em 1663 , amparando umas doze recolhidas que tinham de trabalhar fora , visto as rendas do estabelecimento serem reduzidas .

Era provedor da instituição João Jácome de Luna quando se construíram as varandas que remontam ao século XVI . Esta obra deu origem a uma altercação com a casa fronteira de Martinho Quesado Jácome , mais tarde demolida, para alargamento da rua da Carreira .

A actual Igreja tem o traço de Coronel de Engenharia Manuel Pinto de Vila — Lobos , tendo os vianenses contribuído com 20.000 cruzados que D. Pedro II pediu emprestado , para concluir a Praça de Monção e só sendo pagos por ordem de D. João V em 1719. No Local da Igreja existiu , anteriormente , uma capela em ruivas que foi demolida em 1714 no tempo do provedor Guilherme Robim Ferreira .

O plano de reconstrução da provedoria de João Jácome de Luna ( presidiu entre 1581 e 1589 ) que teria o acordo de Mestre Canteiro João Lopes ” o Moço ” . O desenho foi apresentado à irmandade pelo provedor sem indicar a autoria mas , dando a entender ser ele próprio . A proposta foi recusada pelos outros irmãos . Posto isto, desafiou-os a apresentar outra proposta melhor, se forem capazes . O projecto avançou ficando concluída a fachada virada ao Campo do Forno, mais tarde chamada Praça da Rainha , em 1589 . A Porta das Chagas virada a antiga rua de Santa Ana , hoje passeio das Mordomas da Romaria.

As varandas são em dois andares de cantaria , sustentados por cariátides ( figura de mulher , sobre que assenta uma cornija ou arquitrave ) e terminados em frontão ( peça arquitectónica que adorna a parte superior de portas ou janelas ) tendo no vértice um crucifixo e nos acrotérios ( pedestal de figuras , sobrepostas na frontaria dos edifícios ) as estatuas da SS Virgem e de Santa Maria Madalena . O templo é espaçoso e bem concluído .

 

A irmandade da Misericórdia teve grandes litígios com os mareantes , devido à campainha com que iam aos seus enterros e de carregarem as macas aos ombros , em que os mareantes alegavam estas prerrogativas , dado serem mais antigos. Foi decidido , em sentença , que os mareantes iriam sem campainha e levariam os seus leitos à mão . Entretanto, fez-se um acordo em 1638 entre estas duas irmandades, sobre a admissão de mareantes na irmandade da Misericórdia e os desta na dos mareantes, sob pena de multa de 80.000 reis em caso de transgressão .

Referência:

Costa, Padre António Carvalho da — Corografia Portuguesa , Tomo I pag.191, Lisboa , 1706

Vieira, José Augusto — O Minho Pitoresco , Vol. 1, pag. 216 , 1887

Pinho Leal, Augusto Soares de Azevedo Barbosa — Dicionário Portugal Antigo e Moderno , vol X , pag. 375 e 376 — Lisboa

Abreu, Alberto Antunes — Historia de Viana do Castelo , II vol. , I tomo — pag. 273 a 276

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