AMOR DE MICHAEL HENEKE

AMOR DE MICHAEL HENEKE

Dia 10 de outubro é o dia mundial da saúde Mental. Durante todo o mês de Outubro a Associação de Psiquiatria Saúde Mental de Viana do Castelo/APSMVC comemora esta ideia com realizações e parcerias diversas. No dia 10 realizou-se uma conferência na Biblioteca M. Viana do Castelo, casa cheia, parceria Câmara de Viana, ACT, CARPE APSMVC, CCAM. Tema geral “saúde mental e trabalho”.

Todas as sextas-feiras, em Caminha, Teatro Valadares, o ciclo de cinema e Saúde Mental, em colaboração com o cineclube Caminha”Locus cinemae”, Câmara de Caminha e CCAM é já uma referência. No final de cada sessão um debate, com comentadores: Filipa Franco, Baixinho, Célia Cerqueira, Anibal Fonte, Mercedes Merino, Luísa Q., vereadora Liliana Ribeiro, foram alguns deste ano.

Terminamos com o filme Amor de Michael Heneke. Um filme com dois atores fabulosos Jean-Louis Trintignant e Emmanuelle Riva entre outros. Desde há vários anos não participavam em qualquer filme. No passado considerados ídolos e ícones de uma certa filmografia. Demonstram aqui uma capacidade e potencialidade extraordinária, com idades à volta dos 80! Inteligente e descomplexado, ser senior como mais valia. Perspicaz! O filme fala-nos de um amor incondicional, do cuidar, do envelhecimento, do adoecer, do sofrimento, da morte, da solidão e isolamento deliberado, da desconfiança das instituições, dos Hospitais, dos Lares, da inconstante presença familiar. Tudo num cenário de luz e sombras, de uma fotografia admirável, de um correr de tempo lento, por vezes entediante mas seguro. Retrata um casal de professores de musica, de vida pacata, ligada à cultura e fortes opiniões sobre um mundo intelectual, poético.

No decorrer do filme somos confrontados com o quanto não somos preparados para o envelhecimento, e muito menos para a morte. De como a velhice nos pode deslocar do mundo. Centrando-se no “cuidar, amar, morrer”.

Dramático, belo, deixou-nos com esta espécie de receio e confronto. E o quanto questiúnculas de poderes se tornam mesquinhas e destituídas de interesse.

A atriz principal faleceu em 2017. O ator pondera outras participações. O filme de 2012, venceu no Festival de Cannes, a Palma de Ouro. O aclamado realizador M.Heneke continua.
Nós falamos de saúde mental, dos eternos estigmas, das politicas de saúde. Das polémicas do ser tratado em casa com apoios do estado, ou ser tratado em lares. Dos cuidadores profissionais, uns bons, outros maus. Dos cuidadores, familiares, que se esgotam antes do que é cuidado, ou alguém perceber. Dos gastos para a saúde, da vida dos mais novos sem tempo, e dos mais velhos com tempo a mais, e afinal com o tempo a esgotar-se. Duma sociedade com cada vez mais velhos. De como o envelhecer saudável não resolve todas as questões. Criando a ilusão de uma saúde inesgotável. Da abordagem do senior, doente, que precisa mais do que cuidados de alimentação, abrigo e higiene. Não corpos à espera da morte, mas seres com uma historia, e direito de senti-la até ao fim.

Os filmes, os livros, as conversas, podem fazer-nos isto, “ ir mais além”. E sobretudo atuar para a mudança.

Luísa Quintela

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