Porque hoje é Dia da Mãe… de todas as Mães
Há dias que não são datas — são lugares.
O Dia da Mãe é um deles.
Um lugar onde regressamos,
mesmo quando já não há braços que nos recebam.
As mães não cabem no tempo.
Habitam-nos.
E há um momento, inevitável
em que deixam de caminhar ao nosso lado
para passarem a caminhar dentro de nós…
Aquela mulher vestida de Branco
Que repartiu comigo
O melhor que tinha
O melhor que se pode dar…
Aquela mulher
Que podia ter sido uma rainha
Que podia ter sido uma mulher da rua
Aquela mulher que fosse o que te tenha sido
Viveu, amou e sofreu por mim
Como nenhuma outra…
Nunca viveu na sombra.
Trazia em si o Sol
Foi luta, foi tempestade, foi brisa e foi abrigo
Foi inverno e foi verão
Foi sã e foi louca.
Aquela mulher que se riu até chorar
Que chorou até se erguer
Aquela mulher que vai agora ali vestida de Branco
A brincar com a vida
A brincar ao esconde-esconde
Que escolheu sempre o que quis…
Aquela mulher que agora serena e de braço dado com a Morte…
Olha para trás, com um sorriso nos lábios…
Sempre a desafiar para quem estupefacto de surpresa
Olha para a sua fuga…
Lá vai ela, de braço dado com a Morte
Voa para a Terra do Sempre
Voa para a poeira cósmica
Onde fará corpo com o infinito…
Aquela mulher vestida de Branco…
Que parte para o outro lado…
Sim essa mulher que foi a minha Mãe
Essa mulher que é a minha Mãe
Estará sempre viva dentro de mim…
Deixai-a ir…
Que eu fico.