Pois, há dois, pelo menos que eu saiba.
Após o “25 de Abril” os nossos Governos, com a colaboração da nossa Câmara executaram uma política de habitação social no nosso Município que permitiu eliminar dois “Bairros de Lata” existentes dentro da nossa cidade de Viana do Castelo, mas, também, permitiu alojar muitos vianenses que viviam em casas sem condições de habitabilidade.
Ainda hoje se pode verificar a ocupação total que têm quer em Areosa, Monserrate, Meadela, Darque, Perre. Depois, os nossos governos e municípios devem ter entendido que Portugal e os portugueses eram ricos e não precisavam de apoios para terem uma habitação minimamente condigna e deixaram tudo, ou quase, à iniciativa privada, ao “Mercado”.
O “Mercado” interessa-se, sobretudo, por iniciativas que dêem lucro, se possível, muito lucro. Daí os “vistos gold” e similares. Entretanto, o mercado de habitação ficou quase inatingível para os portugueses da “classe-média”, “média-baixa” e quanto aos pobres nunca chegarão a poder entrar no mercado.
Sem apoios dos governos e dos municípios os portugueses daquelas “classes” estão condenados a viver em condições indignas ou precárias.
Hoje, os presidentes de Câmara estão virados para executar políticas de muito “circo”, mais do que pão (e habitação condigna) e, assim, perpetuarem-se no poder, a fim de fazerem três mandatos e, depois, seguirem em frente para uma Cim, CCR ou secretários de estado. Entretanto, no nosso Município vão permanecendo em duas freguesias da margem esquerda dois “bairros de lata” com gente como nós, crianças e jovens como os nossos filhos e netos e com tudo de mau que daí decorre.
O direito à habitação é um direito fundamental de cada português seja de que origem for. O nosso Município tem de encontrar soluções para alojar os vianenses que não têm rendimentos para comprar casa, e são muitos, nem mesmo para pagar uma renda como as praticadas hoje em dia, e também são muitos, mas, sobretudo, eliminar, com realojamento, os dois ditos “bairros de lata” que não identifico em concreto (por respeito às pessoas que aí vivem), pois todos os autarcas sabem onde se situam.
Sebastião Seixas