Bom Ano. Sim, bom ano

Bom Ano. Sim, bom ano

“Não há razões para desejar bom ano a ninguém”. São tantos os que o dizem que, para os não otimistas, chega a ser depressivo. É verdade que há poucas razões para acreditar que poderemos ter um ano melhor que os anteriores, já que as conjunturas, interna e externamente, são pouco animadoras. Disso já falámos na anterior edição deste jornal. E, daí até hoje, o panorama não se desanuviou, antes se assombrou. 

Por vezes, o Ser Humano revela, de forma grotesca, uma falta de pudor assustadora. Todos sabemos que boa parte das pessoas têm sentimentos ocultos a raiar a desonestidade; só que, por razões várias, têm pudor em revelá-los. E isso, regra geral, até acontece mais com a gente humilde, porque não falta quem, dando ares doutorais, assuma a pouca vergonha sem mostrar vergonha alguma. 

O que aconteceu com aquela senhora que não teve pejo em receber meio milhão de euros (o dinheiro de uma vida de um trabalhador médio) para se deixar afastar de uma empresa pejada de problemas, suportada em boa parte pelo dinheiro dos contribuintes e com um futuro incerto, para logo ir a correr dirigir uma outra entidade empresarial do Estado, demonstra que há quem não tenha limites na sua ganância. E, acima de tudo, não tenha respeito por alguém, olhando com indiferença os que trabalham penosamente para levar para casa o salário mínimo, que mal chega para alimentar a família, por muito restrita que seja. Pior ainda é quando se trata de gente da esfera da entidade que tem que olhar para todos nós com respeito, que é o governo. Ainda mais gravoso, pelo que se vai sabendo, é que a senhora tenha sido de crueza incontida no despedimento de trabalhadores da TAP que a premiou com o meio milhão, como a querer dizer que a pouca sorte dos outros bem pode contribuir para a bastante sorte dela. 

Este enredo, que bem enredou o país, continua nubloso e jamais alguém o quererá dar a conhecer em todos os seus contornos. Mas há algumas satisfatórias lições a retirar deste quadro que atingiu e continuará a atingir contornos de nocividade assustadora. A primeira e mais importante é que há liberdade suficiente para dar a conhecer o desconhecido, particularmente, quando ele é provadamente desonesto. O segundo é que a opinião pública tem força bastante para, na base do rigor, da elevação e no respeito pela verdade, contribuir para a construção de uma sociedade mais progredida e menos suja. Sejamos, por isso, cidadãos plenos. 

Bom ano, então, porque também está muito nas nossas mãos que 2023 seja o ano que, conscientemente, aspiramos. 

  GFM

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