Crónica das Imagens do Viver

Crónica das Imagens do Viver

Sons Efémeros… Conceitos do Momento…

Recordar é viver… Sim, é lembrar-se do passado! Embora, o fazer vir à memória, por vezes, custe, em certos momentos dos tempos idos. Mas noutros ângulos da vida abarcamos aspectos que nos enche de alegria, podendo compensar, certamente, as alturas menos boas. Centrado em volta dos anos 1940/1945, altura em que passei a registar, memorialmente, os factos ocorridos, o que há para recordar ou para distracção, nesse tempo? Fátima, fados, futebol — este, nessas épocas, de princípios sadios — hóquei em patins (éramos bons!) e pouco mais. A droga, apareceu, mais tarde. Vem isto a propósito recordar algumas pessoas carismáticas que fazem parte do passado e do presente. Uma integra a lista dos mor­tos e as outras duas, que citarei, ainda as temos, felizmente, no con­vívio de todos nós.
Quem se lembra do personagem de apelido Zé Rancheiro? Em princípio, talvez só para as pessoas a partir dos setenta anos. Possuía uma sapa­taria na rua Gago Coutinho, convergente com a Praça da República. Ho­mem íntegro, educado, amigo de todos. Jogador acérrimo de xadrez. O seu encontro situava-se num dos cafés que ainda existe naquela Praça. A sua excentricidade provinha do responder, sempre, “oui”…”oui”… “oui”… No sábado de Aleluia queimava-se o Judas, na Praça da Repúbli­ca, na passarela, ao centro. Em 1952, o escrivão do Testamento do Ju­das, que custava dez tostões para os rapazes do Orfanato, foi da auto­ria do Zé Rancheiro.
Não posso resistir a transcrever três quadras:

“Quando Judas vendeu Cristo
O mundo deu uma volta,
E assim principiaram
Os judeus a andar à solta.”

“Daquilo que possuía
Fez um rigoroso extracto
E resolveu deixar tudo
À gente do Orfanato”.

“Depois de o ter vendido
E recebeu os dinheiros
O Judas ficou a pensar
Da cobiça dos herdeiros.”

As outras duas personagens, relativas do povo, cheias de vida, palpitantes, que alegram as nossas ruas e connosco trocam impressões são: o Manuel Ferreira (O Manelzinho), funcionário público aposentado, e o Né Basto. São pessoas dotadas não para o mal mas para o bem. Foram honrados com fotografia e alusões elogiosas, em Abril passado, no importante órgão regional que é este Jornal. O primeiro recorda a idade de cada indivíduo conhecido com o dia certo da semana em que nasceu, o mês do casamento, a data que, porventura, foi à tropa, aliado ao seu regresso e por aí adiante… O segundo, prima por revelar uma vontade muito obstinada e, em certas alturas, de forte espontaneidade, podendo, até, tornar-se exacerbada.

Nota: Esta crónica, por vontade do autor, não segue as regras do novo acordo ortográfico.

(Imagem: “O Minho”)

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