De costas para o mundo

De costas para o mundo

Caro leitor, já se perguntou o que há de especial na inocência de uma criança? Para uns, poderá ser o facto de ainda serem um pouco ingénuas, para outros, a sua sensibilidade e amabilidade; alguns, porventura, poderão até nem concordar com este ponto de vista. Já eu, adoro vê-las sonhar. Vejo as crianças a serem capazes de criar os seus próprios mundos, onde só reina a felicidade, a conquista, príncipes e princesas, castelos mágicos e fábulas encantadas. Lá, não há espaço para problemas e tempo para sofrimentos. Lá, não há ninguém que lhes diga não ou que é impossível. Aliás, lá, o que mais há são possibilidades imensas.

Mas há algo mais na forma como as crianças percecionam o mundo. Elas não perdem muito tempo em dramas e em causas perdidas. Já repararam na sua resiliência em seguir em frente? Na forma como elas batem o pé? Na forma como nos desafiam? Tantas vezes nos ensinam a não desistir. E era precisamente aqui que eu gostava que o leitor chegasse. A vida não é tarefa fácil, é verdade, e nem tudo tem de ser a cor de rosa, tal como elas veem. Mas a questão é que, às vezes, tudo aquilo que precisamos é sentarmo-nos e voltar as costas para o mundo, assim como dois miúdos que pescam relaxados à margem de um rio desligados de tudo ao seu redor. 

Falta-nos saber parar. Falta-nos tempo para respirar. Falta-nos a coragem para não fazermos nada, e estar bem com isso. Falta-nos sonhar mais e viver o espírito infantil mais vezes. Falta-nos pregar partidas, jogar às apanhadinhas e rir dos outros e de nós com mais frequência. Falta-nos reconhecer que, apesar de adultos, temos uma criança bem dentro de nós, que outrora soube ser feliz com muito pouco. Em suma, falta-nos recriar a ligação que tínhamos com aquilo que nos era mais precioso, a nossa inocência. 

Termino esta reflexão com um agradecimento ao artista Arnaldo Rego, que me inspirou com uma fotografia maravilhosa na exposição que se encontra disponível, até 29 de julho, na sede da Ordem dos Médicos, em Viana do Castelo.

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