O matadouro municipal, construído no fim da Primeira República, foi, e ainda hoje é, uma edificação industrial de relevante interesse patrimonial, pela importância da atividade económica aí desenvolvida até à 1990 e, sobretudo, pela sua arquitetura de influência “Art Déco”, movimento artístico que despontava na Europa, quando foi projetado.
Logo no ano seguinte à desativação do matadouro, a Câmara e a direção dos Bombeiros Voluntários acordaram reconverter o seu edifício em quartel desta associação humanitária. O acordo foi aprovado pela Assembleia Municipal, mas o projeto de reconversão foi abandonado por ter sido reprovado em assembleia geral dos Bombeiros. E, em 1993, com a pretensão de valorizar o rico património histórico-arquivístico do Município, estavam em curso diligências para o financiamento do projeto de reabilitação do antigo matadouro para nele instalar o Arquivo Municipal, com o nível de divisão municipal.
Infelizmente, nos anos seguintes, a preservação e valorização do nosso património histórico-documental deixou de ser uma prioridade municipal e as sucessivas ondas de fundos comunitários foram canalizadas para outros fins. Só em 2016, o presidente da Câmara anunciava a requalificação daquele edifício, a realizar nos quatro anos seguintes, para dar lugar a um espaço coletivo de “Memória, Tradição e Imagem”. E, no ano passado, o Grupo de Trabalho de Design do Instituto Politécnico (GTD/IPVC) manifestava a pretensão de dar “nova roupagem” a edifícios emblemáticos da cidade, como o matadouro municipal, combinando “tradição, inovação, academia e mundo empresarial”.
Agora, a Câmara anuncia a garantia de um financiamento de cinco milhões de euros, para a transformação do degradado edifício no “VIANA S+T+ARTS CENTRE” (Centro de Ciência, Tecnologia e Artes de Viana). A confirmação do financiamento da União Europeia e a sua aplicação na execução eficiente do projeto deste centro não poderão deixar de ser motivo de júbilo dos vianenses e de louvor à Câmara Municipal.