Tudo indica que estamos longe de conhecer as consequências, positivas e negativas, desta IA de que tanto se fala e preocupa governos e governantes. O Ser Humano sempre temeu a introdução das novas tecnologias, particularmente no mundo laboral. A Revolução Industrial, iniciada no século XVIII e aprofundada no século XIX na Europa e nos Estados Unidos, foi causa dos maiores tumultos, com trabalhadores organizados em movimentos de protesto.
Enquanto operários braçais, esqueceram a penosidade do trabalho, a baixa produção e a diminuição da remuneração salarial em defesa dos seus postos de trabalho. Atacaram e destruíram, então, as máquinas que haveriam de mudar significativamente o seu nível de vida, na melhoria das suas condições de trabalho e remuneratórias. Mas o mundo não recuou e o progresso, a partir deste tempo, tornou-se imparável, estabelecendo melhor qualidade de vida para todos.
Contudo, a IA com que estamos confrontados, se nela há aspetos visíveis a demostrar saltos quantitativos em algumas áreas, também apresenta aspetos que nos devem preocupar. Miguel Monjardino, em artigo publicado na edição de 04/06/2026 do semanário Expresso, alerta para questões preocupantes do uso da IA, que até o Papa Leão XIV põe em causa. Diz Monjardino que, “em 2014, os EUA e aliados levaram a cabo uma campanha aérea contra o Daesh no Iraque e na Síria e que, nos primeiros seis meses, foram atacados cerca de dois mil alvos. Contrariamente, este ano, no início de março, Washington necessitou apenas de quatro dias para destruir o mesmo número de alvos no Irão”. Para tal, contribuíram novos modelos de (IA) e empresas que permitem aos decisores militares executar campanhas com uma enorme rapidez e escala geográfica.
Assim, as guerras podem ser decididas e facilmente ganhas pelo poder económico, com a vantagem de poder organizar o mundo de acordo com as suas conveniências. Com a IA, as guerras não se desenvolvem no campo da batalha, onde os bravos, mesmo com pesadas baixas, podiam ser os vencedores. Hoje, as guerras decidem-se a partir dos gabinetes, como fez Trump e o seu séquito na invasão da Venezuela para capturar Maduro.
Monjardino diz que razão tem Leão XIV, quando alerta para as consequências desta transição da imperfeição humana para a utopia da perfeição tecnológica, e denuncia os perigos que corremos ao aceitar a crescente dependência dos computadores. Também entendemos que sim. Nunca é demais alertar para as incongruências que a IA pode gerar no contexto mundial.