A guerra está na ordem do dia. Trump, em campanha eleitoral, afirmava que, se vencedor, extinguiria de imediato todas as guerras no mundo, mas os resultados estão à vista… Também prometeu que acabaria em 24 horas com a guerra resultante da invasão da Rússia à Ucrânia, e o que vemos é que tomou posse em 20/01/2025 e a guerra continua, mais do que nunca destruidora. Depois, nomeou um secretário de Estado, que sempre foi de Defesa, mas que para ele tinha que ser de Guerra. Incoerentemente, não pensou num secretário de Estado da Paz. Por último, colocando a economia mundial em farrapos, com Netanyahu, resolveu atacar o Irão, daí resultando o cortejo de misérias que todos conhecemos, entre as quais o fecho do Estreito de Ormuz, que era gratuito para a navegação comercial e agora nem a pagar é seguro.
Indiferente à sua incapacidade para pacificar o mundo, impôs à Nato, onde também nos enquadramos, um brutal aumento nas despesas com a Defesa. É obvio que, mais tarde ou mais cedo, a Europa teria que rever financeiramente a sua política de Defesa, mas tão delicada matéria teria que ser suficientemente negociada. Acontece que a Europa, para além dos problemas económicos com que se debate – apesar dos meios de grandeza que ainda dispõe – e a falta de liderança que de momento revela, tem poucas condições para, nesta matéria concreta, negociar em pé de igualdade.
Neste quadro, Portugal prepara-se para gastar, já este ano, 3,1% do seu Produto Interno Bruto (PIB) em Defesa: 2,1% aplicados diretamente em despesas militares e cerca de 1% destinado a infraestruturas de dupla utilização e adaptabilidade. Tudo isto já decidido com parca informação ao país, particularmente na forma como este aumento de gastos vem complicar a nossa débil economia. Diz-nos o relatório anual do Mecanismo Europeu de Estabilidade que Portugal está obrigado a um reforço de despesa anual com a Defesa, até 2035, que equivale a mais de 2% do PIB, cerca de seis mil milhões de euros, o que condiciona seriamente o nosso desenvolvimento na base de uma política ponderada e objetiva.
Aproximam-se tempos difíceis. E não se vê que alguém esteja disposto a colocar o assunto em debate, preparando o país para o pior, mesmo que se opte por investimentos reprodutivos em matéria defensiva. Acontece que uma nação não se mobiliza desconhecendo pesados gastos, insuficientemente previstos, com as consequências que daí advêm. A informação objetiva e o debate devem esta na agenda diária de qualquer Governo, mas tal não está a acontecer.