Quando eu era janota, com alguns palmos de altura, falava alto para ser homem, porque queria crescer. Entendia que o tempo demorava a passar! Dizia para comigo: Eu sei, eu sei, eu sei. Era o começo da Primavera. Mas, quando fiz 18 anos, eu dizia e respondia: Eu sei, aí está, desta vez eu sei! Hoje, nos dias que passaram tão rapidamente, observo e recordo as terras e países por onde andei de um lado para outro, o que percorri pelo mundo e, ainda, não sei como ele gira!
Aos 25 anos, eu sabia tudo: o amor, o casamento, os projetos de vida, o dinheiro… uma esperança. Ah! Sim, o amor… naquela idade, eu tinha dado a volta por todo o lado. E, felizmente, com os meus amigos eu tinha fruído todo o pão que o “diabo amassou”. Por outras paragens! Outros tempos! Tudo era cor-de-rosa nessa época. Durante a minha vida, fui aprendendo. O que aprendi cabe em 3 ou 4 palavras, ou talvez muitas! Assim, no dia em que alguém gosta de ti, tu questionas se faz um tempo maravilhoso! – Como vais? Disposto a tudo! A resposta é pronta. – Um tempo melhor. – Um tempo excelente, bonito!… o que não se diz? Enfim. Conversas de ocasião.
É o que ainda me admira na vida, eu que estou no Outono e a chegar ao Inverno da minha vida. Já passo dos oitenta! São 83. A gente esquece tanta noite de angústia, mas nunca uma manhã de amizade e de esperança na vida e no tempo que ela pode durar! São interrogações constantes nesta idade. Só assim se vive. Em toda a minha juventude eu quis dizer: eu sei. Só que, quanto mais eu procurava, menos eu sabia. Foram tantas as batidas que soaram no relógio que ainda agora me dobro à janela, à espera! Olho e interrogo-me frequentemente.
Agora eu sei. Eu sei que nunca se sabe que vida nos espera! A vida, o amor, o afeto, a família, a alma, o dinheiro, os amigos e, o que se passa neste País, quem sabe? Nunca se prevê o ruido, a realidade das coisas belas ou sobre-humanas e grandiosas! É tudo o que eu sei.!
Mas isso, eu sei.! Só não sei, quando deixar de saber…