Sal, pimenta e pingos de água benta (IV): Manual de sobrevivência ao verão Português

Sal, pimenta e pingos de água benta (IV): Manual de sobrevivência ao verão Português

À bom português, não poderíamos entrar na época veraneia sem nos queixarmos. Poder, podíamos, mas não era a mesma coisa…

Como tuga oficial, reconheço que passamos onze meses a pedir sol. E quando finalmente aparece, passa-se o dia inteiro a dizer: “apre, que isto não se aguenta!”

“Ai que está muito calor!”, e no inverno andávamos putos com as chuvas que nunca mais acabavam; “Ai que não dá para ir à praia, tá vento e há sempre um artista que se senta a 5 centímetros com uma coluna a passar os hits de ninguém!”, e no outono já sonhávamos com os pés na areia e a nova coleção de fatos-de-banho; “Ai que não sei onde deixar a criança!”, e os pobres dos avós já reformados, voltam a fazer serviço full-time com contrato firmado sem termo certo; “Ai que tanto barulho na rua!”, quando durante o ano todo não passa uma alma morta na rua (pelo menos, que eu a veja!)

E a lista poderia continuar por aí a fora…

Todavia, estou particularmente interessada em discursar sobre os temas festivais e água.

Hoje, matar a sede é caro, e perigoso pra caramba! Ainda nem pedimos a conta e já nos estão a roubar a garrafa de água da mesa! A malta agora corre mais riscos de se engasgar, porque tem que beber a água com uma pressa dos diabos. Pobres dos bombeiros, como se já não tivessem canseiras suficientes, que ainda têm que vir “pôr água” sobre a água porque a velhinha teve de beber a água gelada de penalti. Quem se anda a safar com isto são as cervejarias…até o dia em que decidam que beber um fino é o novo trending…se isto falha, há uma guerra civil pela certa! O tuga pode com tudo, menos viver sem os finos!

Quanto aos festivais, continuo sem entender como há malta que paga 200 euros por uma tenda para dormir em jeito de efeito de estufa por uma noite, tomar banho com uma garrafa de litro e meio, e chega ao fim, e volta convencida para casa que viveram uma espécie retiro espiritual. Ah pois! Não é para todos.

O que eu sei é que, em Portugal, verão, é rei. Há que virar lorde das estradas, das sardinhadas, das ventoinhas que fazem mais barulho do que deitam ar, dos piropos bem-intencionados, das filas pros gelados que nunca mais acabam, do turista stressado, do eau de parfume a sovacada, e por fim, dos hospitais que rebentam pelas costuras pelo número elevado de pessoas picadas pelo peixe-aranha ou pela nossa graciosa caravela.

Já estou como o Diácono Remédios: não havia necessidade! Qualquer dia, o IPMA deixa de emitir avisos laranjas e vermelhos, e passa simplesmente a aconselhar molho de salsa com alho…

Outras Opiniões

Os leitores são a força que mantém vivo o jornal mais antigo de Portugal Continental.

Assine A Aurora do Lima por apenas 20€/ano!

Há 169 anos que o “A Aurora do Lima” faz parte da história económica e social do Alto Minho, com um impacto especial em Viana do Castelo. Este legado só é possível graças ao apoio dos leitores, que são o pilar mais importante na continuidade de qualquer jornal.

Para que esta caminhada de sucesso não tenha fim, convidamos a fazer parte desta história. Assine o “A Aurora do Lima” por apenas 20€/ano e tenha acesso a todos os artigos de um jornal com tradição, credibilidade e compromisso com a região.

Garanta já a sua assinatura e ajude-nos a manter viva esta tradição centenária!

Item adicionado ao carrinho.
0 itens - 0.00€

Assine o “A Aurora do Lima”, o jornal mais antigo de Portugal Continental, por apenas 20€/ano!

Há 169 anos que o “A Aurora do Lima” faz parte da história económica e social do Alto Minho, com um impacto especial em Viana do Castelo.

Garanta já a sua assinatura e ajude-nos a manter viva esta tradição centenária!