Na rota dos concelhos

Na rota dos concelhos

Em 1955, a A Aurora do Lima, em comemorações centenárias, na sua edição especial, contou com a colaboração (com notáveis textos) de todos os seus correspondentes situados em cada concelho do distrito de Viana. Tratava-se de gente distinta que desempenhava a nobre missão de manter com vida intensa um jornal que, atingindo a bonita idade de cem anos, continuava ativo na luta pelo progresso do Alto Minho.

Neste longo período de tempo, pelo caminho tinham ficado dezenas de jornais que não resistirem ao sufoco criado pela pobreza em que o país vivia económica e culturalmente. O Estado Novo não cuidava nem do corpo nem da alma dos portugueses, porque, mesmo na miséria, o que era preciso era ter as contas em dia. Não admirava por isso que só os jornais suportados por grandes grupos económicos fossem resistindo, mas também esses foram sucumbindo, já que ninguém investe para perder dinheiro. E se o faz é pontualmente para depois dar um salto em frente. Mas, até aí, nada a dizer, porque o mercado foi criado com esse objetivo. 

Este jornal soube resistir, porque sempre teve a superior missão de mobilizar as gentes desta região minhota na luta por melhores condições de vida, apesar de nem sempre o ter conseguido, mas pior teria sido se alimentasse o acomodamento. Não sendo fácil, porque a “política das capelinhas” e a vontade de alimentar práticas individuais, com cada um fechado no seu casulo, nem sempre o permitiu, no entanto, algo foi feito. Entretanto o país mudou, e muito, e o poder local, democraticamente eleito, dispõe hoje de boas condições para promover um trabalho cooperado, tendo em vista um mais veloz e qualificado crescimento económico para bem das populações que representa. Este é o tempo de esquecer o passado e concluir que o progresso a que temos direito, e em boa medida nos foi negado, pode agora ser conseguido. 

Ciente do seu passado, como porta voz dos defensores da evolução, o A Aurora do Lima iniciou nesta edição um trabalho de audição dos poderes concelhios da região com o objetivo de fazer o retrato de cada concelho sobre caminhos trilhados, o que está feito e o que se tem em vista levar a cabo. Entendemos que todo o Alto Minho se deve irmanar, contrariando o individualismo e o isolamento, porque não é desta forma que conseguimos fazer deste espaço um território de prosperidade e apto a ombrear com o resto do país. Começamos por auscultar Valença, através do seu presidente, mas temos o objetivo de avançar para os restantes municípios, porque também queremos dar o nosso modesto contributo para a evolução do lugar em que nos inserimos. Temos essa obrigação. 

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