Nos 40 anos da adesão de Portugal

Nos 40 anos da adesão de Portugal

Sem grande aparato, antes com simbolismo sentido, no qual não faltou o debate sereno, comemoramos a nossa entrada na Comunidade Económica Europeia, hoje União Europeia, integrada por 27 países europeus. Aproveitando a data, as embaixadoras em Portugal da França (Hélène Farnaud-Defromont) e da Alemanha (Júlia Monar) publicaram na última edição do jornal Expresso um texto que deveria ser lido por todos os portugueses, particularmente por aqueles que não conheceram o regime do Estado Novo ou os que o viveram, mas já o esqueceram, provavelmente porque muitos de nós somos gente de memória curta.

Dizem as Senhoras Embaixadoras que o dia 12 de junho de 1985 foi um ponto de viragem para a nação portuguesa, que assim concretizou a sua trajetória europeia. Adiantam que a entrada de Portugal na Europa, sob o impulso de Mário Soares, foi o acelerador da sua transformação e modernização, tendo o nosso país, em 40 anos, multiplicado o seu Produto Interno Bruto (PIB) sete vezes. Mais adiante, salientam o envolvimento de Portugal nesta comunidade de países, apresentando-o como pilar forte do projeto europeu. Evidenciaram, ainda, as autoras deste texto, o orgulho do que se construiu e do que se alcançou nos últimos 40 anos.

Alguém poderá pensar que se trata de um escrito de ocasião, eivado de simpatia, porque comemoramos quatro décadas de enquadramento na UE, depois de deitarmos ao caixote do lixo a política do orgulhosamente sós, mas não. Trata-se de um documento que, não apresentando grandes indicadores, a grosso modo, constata a nossa evolução como povo no período de 1985/2025. Infelizmente, em 1974, estava tudo por fazer. E, a juntar ao atraso em setores fundamentais, como a Educação, a Saúde, as políticas salariais, a Habitação, o Saneamento, as redes viárias, etc., ainda tínhamos uma guerra absurda e incompreendida por todas as instâncias internacionais, que nos dizimou cerca de 10 mil militares e mais de 100 mil civis, sem esquecer mais de 20 mil combatentes feridos e incapacitados. 

Mas se só temos razões para concluir que o nosso lugar é na União Europeia, também temos que admitir que ainda temos um longo caminho a percorrer para nos aproximarmos mais dos países que emparceiram connosco. Por outro lado, temos que compreender que a nossa evolução no mundo democrático e da tolerância depende, cada vez mais, de nós. Ou nos organizamos e adotamos políticas evolutivas, na base da inteligência e da boa organização, ou teremos muitas dificuldades em nos enquadrarmos entre os melhores. 

GFM

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