“Sem que o discurso eu pedisse,
ele falou; e eu escutei.
Gostei do que ele não disse;
do que disse não gostei”.
Talvez não haja um só português que não esteja farto de promessas dos políticos. E não só em tempo de eleições. Uma vez eleitos, instalados no governo, no parlamento ou em cargos públicos diversificados, mesmo que os não queiramos ouvir, uma vez por outra lá temos de alombar com eles. Falam muito e dizem pouco. Prometem tudo e explicam nada. Usam frases bonitas, mas vazias de conteúdo. Recorrem a palavras solenes, mas ideias nenhumas. E proclamam:
“Vamos trabalhar.” “Vamos resolver.” “Vamos avançar.”
Sim senhor, vamos a isso – pensa o cidadão. Mas para onde? Mistério absoluto.
O discurso acaba e a realidade continua. Tanta palavra para tão pouca coisa. É a política em modo nevoeiro: muito fumo, pouco fogo. E insistem:
“Vamos fazer acontecer.” Acontecer o quê? Ninguém sabe. “Estamos atentos”. Atentos a quê? “É uma prioridade.” Qual delas? “Estamos a trabalhar.”Trabalhar em quê?
E quando perguntados concretamente, respondem vagamente.