Falar do aquecimento global é “chover no molhado”, já que o assunto não tem saído da agenda de quem com ele se preocupa, particularmente os cientistas e a imprensa que divulga os seus constantes alertas. Porém, já sabemos que esta matéria só é motivo de debate para a adoção de hipotéticas medidas quando o calor ou a chuva são causadores de catástrofes, com perdas de vida e prejuízos difíceis de quantificar. Depois, como se diz na gíria popular, “siga a rusga”.
Mas, a continuar como até aqui, lá chegará o dia em que a rusga não tem caminho por onde seguir. Está suficientemente provado que o aumento contínuo da temperatura média do planeta, é resultado do efeito estufa através de atividades humanas. É verdade que os cataclismos foram quase sempre uma realidade no planeta, mas não podemos ver casos isolados em contextos particulares para nos sossegarmos. Temos que estar atentos aos fenómenos do presente e às justificações dadas pela ciência, que raramente falha, dada a evolução cada vez maior do conhecimento.
Em trabalho recente do semanário “Expresso”, constata-se que, segundo a Organização Meteorológica Mundial, a temperatura não para de crescer. A mais elevada ocorreu na Sicília, Itália, em 2024, com um registo de 48,8°C. Comparativamente, o recorde anterior era de 48°C, na Grécia, já em 1977. Tendo ainda como referência este trabalho, para Ricardo Deus, responsável pela Divisão do Clima e Alterações Climáticas do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), a tendência de aumento na temperatura média é observável em praticamente todos os países do continente europeu.
Desde a década de 1990 que as nações deste espaço geográfico trabalham para diminuir a emissão de poluentes, tendo assinado em 2015 o “Acordo de Paris”, cujo objetivo é reduzir os
impactos do aquecimento global, mas os resultados são modestos, destacando-se objetivamente a Suécia com uma redução de cerca de 158%. Contrariamente, na Turquia as emissões aumentaram em 218%. No plano geral, em 2024, foram emitidas 52 milhões de toneladas de gases equivalentes a CO2, o que significa uma queda de apenas 18,7% em relação aos dados anteriores.
Os indicadores demonstram que de pouco tem valido a discussão do assunto, mesmo perante o agravamento de todo o tipo de tempestades de que ninguém se livra, até em Portugal, como se viu recentemente na zona centro do país. Bem podemos dizer que estamos resguardados e acomodados pela natureza no nosso cantinho, que tudo isso não passa de fantasias de mau gosto.