O correspondente artista

O correspondente artista

É o correspondente da “AAL” em São Lourenço da Montaria. Como todos os nossos correspondentes, faz o seu trabalho de forma empenhada e graciosa. Gosta do jornal e quando lhe dizemos que gostávamos de contar com um número mais numeroso de assinantes na sua freguesia, bem de acordo com o seu empenho, sorri com elegância e diz que faz o seu melhor nesse sentido.

Ser correspondente da AAL dá-lhe muito prazer, por isso afirma que enquanto tiver forças jamais abdicará desta tarefa que o exercita para a escrita e põe em contacto com as gentes da terra. Mas há outros prazeres na vida de Domingos Malheiro. Ele adora pintar, daí que reserve boa parte de todos os dias para pincelar as telas. Diz-nos que utiliza várias técnicas, mas dá preferência ao uso do óleo. A sua aposta foi sempre no figurativo, porque é desta forma que se tem sentido realizado. Pinta o casario, os largos, as capelas, as veigas, tal como os observa, e nada lhe escapa, porque é minucioso e perseverante, com uma destreza de mãos admirável.  A este Pintor da Serra d’Arga – assim é conhecido – na longa cavaqueira de atelier que com ele tivemos, perguntamos-lhe porque não se torna mais criativo e deixa um pouco a reprodução dos aspetos observados. Respondeu-nos que é um desafio que tem em mente, até porque em São Lourenço da montaria quase já quase todos os recantos foram parar às suas telas.

“Caro Malheiro há quanto tempo é que pinta”, perguntamos-lhe? – Sempre pintei, porque nasci com algum jeito para o desenho e a pintura, diz-nos. Foi meu mestre um conceituado artista da região de Braga, de nome Gavina, concluiu. Todavia, a arte não dá para viver, dai ter enveredado pela atividade hoteleira. Porém, em 1990, problemas de saúde obrigaram-me a parar com esta ocupação, por isso o retorno à pintura.

Domingos Malheiro já expôs um pouco por toda a parte, particularmente em Portugal e Espanha, com mais de 20 exposições individuais e outras tantas coletivas. Está representado em inúmeras coleções particulares e várias instituições públicas e privadas, predominantemente em Câmaras, Juntas de Freguesias, Institutos, Estabelecimentos de Ensino, etc. Vai-se vendendo satisfatoriamente, diz-nos com confiança. Acreditamos, porque os quadros pintados foram em número avantajado e em atelier poucos restam. O Restaurante de São Lourenço, onde, por baixo preço, bem se come, está todo decorado com os quadros de Domingos Malheiro, a demonstrar que a sua arte é bem apreciada. 

Despedimo-nos do nosso simpático correspondente, sendo portadores de uma obra para a sua, e nossa, Aurora do Lima. Gostamos deste encontro, Caro Domingos. E gostámos de ver como as gentes de São Lourenço o apreciam. Não arrume os pinceis, a par do generoso contributo para a “AAL”. São Lourenço tem que sair do seu remanso e dar mais nas vistas. A Aurora do Lima também quer contribuir para isso.

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