O drama da escassez da água  

O drama da escassez da água  

Será um dos nossos maiores problemas no futuro próximo. A falta de água no concelho de Almada, com o desespero e a agitação que criou, veio demonstrar que não nos devemos julgar seguros em relação a este precioso bem, sem o qual a nossa vida ficará de certeza muito complicada. O planeta nem sequer dispõe de 1% de água potável e, perante o permanente agravamento do aquecimento global, tão pouca não vai poder satisfazer as necessidades básicas de uma população que também não para de crescer.

A escassez de água, em boa parte do mundo, desde há muito que se apresenta como tormento, particularmente para os países do Médio Oriente, sendo uma das razões de graves conflitos armados em disputa por este caro líquido. O Rio Nilo, o primeiro ou segundo maior do mundo (persistem dúvidas), por razões de partilha de água, apresenta-se hoje como um problema conflituoso, que não se sabe como se resolverá entre os países por onde passa, o Egito, a Etiópia e o Sudão. 

Regra geral, como temos tido água com qualidade suficiente para as nossas necessidades, pelo menos no Norte do país, vamos pensando que os problemas dos outros não são problemas nossos. Puro engano, já que as consequências do aumento das temperaturas, como estamos a constatar, vai naturalmente secando o planeta, acabando por chegar a todos os países, mesmo que em diferentes graus percentuais.

Fazer tudo o que for possível para criar condições para que a água tenha bom uso e seja preservada nas melhores condições é uma obrigação de todos. Segundo Vera Eiró, presidente do Conselho de Administração da Entidade Reguladora dos Serviços de Águas e Resíduos (ERSAR), em entrevista ao jornal Expresso, há cinco anos que se alerta para os riscos de se perder a qualidade ou haver falhas de água “sem pré-aviso” se as entidades gestoras não fizerem o que lhes compete. E lembra que a ERSAR alerta há anos para o envelhecimento das redes e constante perdas de água (27%).

Diz ainda Vera Eiró que Portugal conseguiu manter níveis muito elevados de qualidade da água para consumo humano, lembrando que, hoje, 96% da população tem acesso ao abastecimento desta com 98/99% de qualidade. Tudo isso resultante dos grandes investimentos

apoiados por fundos europeus, feitos nas primeiras décadas após a entrada na União Europeia, mas isso já acabou. Agora tudo o que tem de ser feito é da nossa inteira responsabilidade e, como é evidente, este não é só um problema de governos, é sim um problema de todos. Criar uma cultura de respeito pela água deve ser uma das nossas prioridades.

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