Começa a parecer que também a nossa sociedade está apostada em retroceder. O mundo não para e vai fazendo o seu caminho no sentido da evolução, mas, de vez em quando, alguém aposta em dificultar-lhe a marcha. Sorrateiramente, fala-se nos valores conservadores, da família perfeita, como no tempo da “velha senhora”, em que a mulher é para estar em casa a cuidar e a educar os filhos e o marido, qual chefe de família – como constava dos inquéritos dos censos estatísticos – para ganhar o sustento para a sopa. Provavelmente, não da família que assenta a sua união no respeito irmanado, assumido e entendido entre todos, mas antes na família escalonada, onde direitos e deveres estão compartimentados.
Comenta-se a educação de hoje, que já não é como antigamente, e até se fala que ela está a ser “sovietizada”. Ainda lá não chegamos, mas, provavelmente, voltar-se-á a falar na velha Mocidade Portuguesa, para habituar a juventude a marchar, devidamente fardada e braço estendido, assim adquirindo hábitos para defesa da pátria, mais tarde enquadrados em corpos expedicionários para combater onde fizer falta. Felizmente já acabou o império colonial…
É preciso lembrar que a cultura do velho tempo português, a que a Revolução de Abril pôs termo, assentava no conceito de família tendo o homem com poderes absolutos, não podendo a mulher, se o desejasse, ausentar-se do país sem autorização deste. Nem tão pouco esta poderia ter direito a um vastíssimo conjunto de garantias, porque apenas reservadas aos homens.
Esses tempos já lá vão e, para trás, anda o caranguejo, como diz o velho provérbio português. Ademais, no domínio dos direitos e da igualdade, a nossa Constituição já os consagra suficientemente, para que veleidades não tenha quem sonha com retrocessos. O caminho é mesmo para seguir em frente. A família autêntica, com os seus valores de respeito e de afeto, forja-se no apreço pela liberdade de cada um. A união familiar assenta nos conceitos de hoje e nunca nos de ontem. Como aqui se vai dizendo, o mundo não anda para trás e, se por vezes acontece, é só por mero acidente de percurso. Tentar travar a evolução das sociedades é “lutar contra moinhos de vento”. Pena é que o avanço do universo seja tão desigual de continente para continente, como é possível constatar. Mas isso é questão para outros comentários
GFM