Costumamos dizer, com orgulho, que somos um povo trabalhador. E somos. Mas trabalhar muito não significa, por si só, trabalhar bem. E ainda temos um longo caminho a percorrer na forma como tratamos o tempo — o nosso e o dos outros. Há traços culturais enraizados que nos custam caro: a improvisação frequente, o “logo se vê” como reflexo, o adiar sistemático, e a crença ingénua de que haverá sempre tempo mais tarde. O mundo moderno não espera.
E a cultura do tempo não é pressa — é maturidade.
Pontualidade: sinal de respeito, não formalismo. Num encontro, numa reunião, numa consulta ou num evento público, quantas vezes a pontualidade é vista como uma formalidade dispensável? Ser pontual não é rigidez. É respeito. Quem chega tarde rouba tempo a quem chegou cedo — e isso não é detalhe: é cultura. Sociedades que valorizam o tempo não avançam por milagre — avançam porque tratam o tempo como recurso escasso e digno.
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— e a agenda impossível