Os estranhos mistérios do Barral e de Garabandal (I)

Os estranhos mistérios do Barral e de Garabandal (I)

Estes toponímicos “Barral” e “Garabandal”, ligados às expressões “estranhos mistérios”, constituirão um tema absolutamente desconhecido para muita gente, inclusivamente aquela que professa o catolicismo e até está muito ligada à Igreja Católica.

Com a publicação recente, neste semanário, da crónica nº 33, em Março passado, preveni o Diretor Executivo deste semanário de que iria mudar de temática. Mas, na verdade, a temática religiosa, sobretudo as religiões que mais nos tocam – o cristianismo e suas muitas variantes – são uma fonte inesgotável de assuntos atuais e passados. Não esquecer que a religião cristã tem mais de dois milénios de história e as igrejas cristãs, acima de todas a Católica, pela sua cuidadosa organização e máquina afinadíssima e de “alta tecnologia”, no campo do estudo aturado, do minucioso arquivo documental e gigantescas bibliotecas, da propaganda eficaz, do ritualismo esplendoroso, da arquitetura magnificente e, ainda, pela disponibilidade permanente e obrigatória dos seus clérigos, acaba por mexer, pela positiva ou pela negativa, com todos os que ela atraiu para o seu círculo. E não só. Aqui estou novamente. 

De resto, como diziam muitos filósofos, o desconhecido e o mistério andam de braço dado com a religião. O que vou falar aqui, hoje, é de dois mistérios … mais do que estranhos: Barral e Garabandal!

O Barral é um lugar pertencente à freguesia e paróquia de S. João de Vila Chã, no concelho minhoto da Ponte da Barca, ou seja, a umas quatro dezenas de quilómetros de Viana do Castelo (sede do distrito e do Bispado). E Garabandal é uma paróquia espanhola, sendo San Sebastian o seu padroeiro, que pertence à comunidade autonómica da Cantábria, cuja capital é Santander, também sede do Arcebispado. Ambas são aldeias do “fim do mundo”, serranas, pouco povoadas, terras de emigrantes, principalmente nas datas em que ocorreram os acontecimentos que inspiraram esta crónica.

As aparições de divindades ou quase (caso de Maria, mãe de Jesus, e dos Anjos) são, por si só, misteriosas, enigmáticas, que provocam muitas emoções e debates acesos. Uns acreditam, outros não. O mesmo se passa com os fenómenos OVNI ou os contactos particulares entre extraterrestres, ou alienígenas, e humanos, à mistura com abduções forçadas de pessoas simples. (Abduções: o mesmo que raptos). O curioso é que essas aparições celestiais têm muito de comum com os fenómenos ovni ou os contactos alienígenas: as figuras que aparecem do nada e repentinamente, e se apresentam com trajes resplandecentes; os veículos em que se transportam irradiam luzes ofuscantes e movem-se silenciosamente ou ficam parados no ar, rodando sobre si próprios, ou movendo-se em velocidades elevadíssimas, e com acrobacias que, segundo os peritos aeronáuticos, nenhum objeto voador de fabrico humano consegue executar, até ao presente.

Estes enigmáticos objetos (voadores ou até submarinos) não são de agora, pois há pinturas antigas e gravuras ainda mais antigas que apresentam, de uma maneira quase impercetível, desenhos de tais objetos. A própria Bíblia relata casos de outros mundos. Mas o ano de 1947, em Roswell (Novo México) nos Estados Unidos da América, é um marco importante na história da ufologia. Verificando-se que entre as “aparições de Nossa Senhora “ou de “anjos” há muitos pontos em comum com o avistamento de “ovnis” e de supostos alienígenas, o enigma acentuou-se e o debate nasceu. Há quem acredite e quem não acredite em nada disso, aparições ou avistamentos. Até mesmo as autoridades católicas não consideram as aparições como dogmas de fé. Quem quiser acredita ou não crê quem quiser. É relevante conhecer a opinião do Padre católico, teólogo, e Professor Catedrático Anselmo Borges que declara, de maneira muito perentória, que “é evidente que Nossa Senhora não apareceu em Fátima” (Expresso, 16 de Abril de 2017)

E qual é o estranho mistério do Barral e de Garabandal? Tenham em atenção as datas: 1917 e 1961. Em 13 de Maio de 1917, alegadamente apareceu Nossa Senhora, em Fátima, aos pastorinhos Lúcia, Jacinta e Francisco. Mas – atenção, muita atenção – em 10 de Maio do mesmo ano, isto é, três dias antes, Nossa Senhora, supostamente também, apareceu a um pastorinho de 10 anos de idade, de nome Severino Alves e que, no dia seguinte, nova aparição se registou, não voltando a aparecer mais vezes. Esta ocorrência, desde o início pouco badalada para além do concelho da Ponte da Barca, só voltou a ser tratada, com denodo, 50 anos depois, a partir de 1967, e por uma figura de grande importância no mundo académico e na esfera eclesiástica, o Professor Catedrático de Coimbra e Cónego da Sé de Braga, Avelino de Jesus Costa, natural do Barral, contemporâneo e primo do Severino Alves. 

Mas o caso de Garabandal é mais complexo, considerando que uns Anjos, Nossa Senhora e o Menino Jesus, alegadamente apareceram muitas vezes, desde 1961 até 1965, deixando mensagens a quatro meninas de 11 e 12 anos e com profecias, entre o maravilhoso e o assustador, que ainda estão para acontecer! Atenção: 1961! Nesse ano, a minha geração estava a entrar na maioridade e ninguém ouviu falar disto. Porquê? É estranho, muito estranho mesmo. Estas duas “aparições” (entre outras) foram literalmente escondidas pelas autoridades eclesiásticas (e civis) e só foi dada importância ao fenómeno de Fátima. Porquê? (Temos de continuar no próximo número).

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