A primeira vez que tive contacto com o fenômeno de Garabandal, foi há uns 5 anos atrás, quando abria o You Tube, uma das plataformas mais interessantes da Web, pois apresenta vários tipos de acontecimentos e de conhecimentos sob a forma mais comunicativa de uma espécie de televisão, independente e livre: fotos, vídeos, opiniões faladas e vistas, assuntos de história, medicina, política, culinária, trabalhos práticos e dos mais variados assuntos, teóricos ou práticos, com propósitos de doutrinação, algumas vezes, ou, simplesmente, de satisfação da mera curiosidade. Em língua portuguesa, os brasileiros são campeões. Os sítios com “sotaque português” são raríssimos.
Assim, em alguns desses sítios lá aparecia o tema das “aparições” em San Juan de Garabandal. Os atuais promotores dessas e de outras “aparições de Nossa Senhora” são sacerdotes católicos brasileiros. O de maior nomeada é o Padre Francisco Amaral, mas também se escuta a voz do Padre Duarte de Sousa Lara e a do Padre Paulo Ricardo (um prosélito das aparições na povoação serrana de Cimbres, Ribeira, Pernambuco, em 1936). Esses padres não têm mãos a medir em matéria de “aparições” e como grandes entusiastas que são desses fenômenos, também se referem a outras aparições, a mais falada das quais é a de Medjugorge, uma aldeia rural, no país “Herzegovina”, ou Bósnia-Herzegovina, na península Balcânica, e cuja capital é Sarajevo. Este caso, que continua a ser muito falado, ocorreu em 1981, a 24 e 25 de Junho.
Portanto, fenômenos não faltam, mas o de Garabandal é para mim um “estranho mistério”, na medida em que ocorreu, na primeira “aparição” atribuída a São Miguel Arcanjo, em 18 de Junho de 1961, a três meninas de 11 anos e uma de 12, numa aldeia recôndita da comunidade autónoma da Cantábria, com a capital administrativa e e sede diocesana em Santander, Espanha. De Viana do Castelo a Garabandal contabiliza-se a distância de 625 Km e muito perto de 6 horas seguidas de viagem (Viana-Benavente-Palência-Torrelavega- Garabandal). Ora, nem as alminhas mais piedosas das paróquias do Minho catolicíssimo tinham ouvido falar, desde 1961(!!!!) até ao presente, em tais “aparições”.
Essas aparições duraram até 13 de Novembro de 1965 (mais de quatro anos) e foram cifradas no total de mais de duas centenas, algumas das quais várias vezes num só dia. As “aparições” ocorriam ao fim do dia (no verão, pelas 20h30). E quem aparecia normalmente? Segundo as videntes (Conchita Gonzalez – a mais ativa e mais conhecida – Mari Cruz Gonzalez, Jacinta Gonzalez e Mari Loli Mazón), “aparecia”o tal Arcanjo S. Miguel, um outro anjo “parecido com esse”, Nossa Senhora do Monte Carmelo com uma criança ao colo (pela primeira vez a 2 de Julho de 1961, aparição previamente anunciada pelo Arcanjo).
Registaram-se frequentes situações de êxtase por parte das videntes e mensagens de Nossa Senhora muito parecidas com as de Fátima, cerca de 50 anos antes. Os ajuntamentos de curiosos ou crentes cresciam a olhos vistos (da ordem dos 500 a 3.000 por dia) bem como a presença e a observação “especializada” de muitos sacerdotes à paisana, teólogos, professores e médicos de prestígio. Como isto se passa na década de 60 do século XX já havia suficiente tecnologia de gravação de som e imagem, fotografia e cinema, ao alcance de muita gente, pelo que existem bastantes fotos e curtas metragens em cinema.
Terão acontecido vários “milagres” e, acima de tudo, uma mensagem transmitida, em outubro de 1961, à Conchita Gonzalez alegadamente pela “Vigem Maria”, que é de enorme importância. Diz a Conchita que, em data de que ela própria tem conhecimento mas “não pode revelar por não ter autorização de Nossa Senhora”, haverá um Grande Milagre. E em que consistirá esse Grande Milagre? Segundo a Conchita, “será numa quinta-feira, às 20,30 Horas da tarde e durará 15 minutos e um sinal ficará visível nos “pinos” – um conhecido lugar de Garabandal, com vários pinheiros – até ao fim dos tempos “. E a Conchita revela mais: “coincidirá com um grande evento eclesial, todos os enfermos presentes ficarão curados, os pecadores serão convertidos e os incrédulos acreditarão”. E a importante revelação da Conchita sobre “um aviso” prévio ao Grande Milagre: “O aviso ver-se-á no Céu e em todo o mundo e será sentido por todos, qualquer que seja a sua condição e conhecimento de Deus, exatamente ao mesmo tempo”. E acrescenta Conchita: “Será uma experiência terrível, no entanto será para o bem das nossas almas”.
E, perante este quadro profético, que disseram os vários Bispos de Santander, ao longo destes 61 anos? Como é habitual nestas decisões eclesiásticas, e de acordo com a “escola” vaticana, nem disseram “sim” nem “não”. Ficaram-se pelo “nim”. E nessa decisão foram apoiados pela romana Congregação para a Doutrina da Fé, que elogiou a decisão diocesana de “zelosa e prudente”.
Só que o mundo não está parado, rola sobre si mesmo de 24 em 24 horas, circula em volta do Sol de 365 em 365 dias e até se dá ao trabalho de se inclinar para o Sol nesse mesmo período, e vice-versa, num círculo constante de morte e vida, de frio e calor, de paz e de guerra, porque o mundo é feito de mudanças. Neste momento, há uma guerra brutal (e pior, com ameaças de explosões atómicas), um novo Golias contra o jovem David, uma fortaleza monstruosa como Esparta contra uma Atenas indefesa, liberal e democrática. Daí que muita gente, entre a ansiedade e o terror, esteja á espera da profecia de Garabandal. Quando acontecerá o Grande Milagre, que será visto por todos os humanos?