O conceito “Humanista” refere-se a “pessoa que coloca o ser humano, os seus valores, a sua dignidade, razão e bem-estar, individual ou coletiva, no centro de todas as coisas; comprometida na defesa intransigente dos direitos humanos, da liberdade individual e da democracia para a evolução da Sociedade”. Vem a propósito do que recentemente ocorreu em São Petersburgo, a libertação de um cidadão americano, porventura detido injustamente, que só pode ser considerado um evento de egocêntrica ação diplomática de dois “Grandes Líderes”, com ativas tendências expansionistas e usurpadoras.
Transformar o evento numa narrativa de “profundo Humanismo”, foi menorizar os princípios que corporizam o conceito. Sendo um evento isolado, cirúrgico e pleno de propaganda, foi apresentado como um “Todo Humanitário”, lateralizando e obscurecendo os dramáticos horrores das guerras. Uma autêntica e sombria cortina de fumo.
Por isso, não se entende como tais “Grandes Líderes” encaixam na “vocação Humanista”!…
Verdadeiros agitadores, manipulam e afrontam com total desrespeito nações independentes, extorquindo recursos, destruindo infraestruturas e dizimando pessoas (homens, mulheres e crianças), detentores de um poder que tem gerado um rasto de destruição civil, traduzido em centenas de milhares de mortos, na sequência das intervenções militares que têm vindo a protagonizar na Ucrânia e no Médio Oriente. Atente-se nos números deste “pérfido Humanismo” até à presente data: 1,8 milhões de mortos, feridos e desaparecidos, dependendo da fonte.
Perante tal “vocação dos Grandes Líderes”, como classificar então os atos dos Voluntários envolvidos em Organizações Humanitárias Não Governamentais (ONG’s), que sempre marcam presença nos cenários de guerra e catástrofe? Atos humanitários de declarada neutralidade, distantes de qualquer partidarização, simplesmente puros e apolíticos, tendo como único objetivo a proteção da vida e da decência humana. Na verdade, estes Voluntários, estes sim, são pessoas imbuídas de “profundo Humanismo”, quiçá “Anjos na Terra” merecedoras de infinita gratidão, em flagrante contraste no que à dita “vocação dos Grandes Líderes” diz respeito.
Não será por acaso que a atribuição do Nobel da Paz a voluntários e ONG’s que atuam em cenários de guerra e catástrofe auxiliando milhares de pessoas, é um reconhecimento histórico pelo Comité Nobel da Noruega, nação que um “Grande Líder” recentemente tentou enxovalhar. Lamentável.