Sem querer ocupar muito o espaço do nosso Jornal, permitam-me um desabafo. Sou um cidadão preocupado e atento ao que se vai passando no país. Acompanho a política em geral, já que considero um dever de todos os cidadãos participar na vida pública e contribuir para uma melhor governação. Portugal não pode só ser construído por quem nos governa, quer sendo o poder ou a oposição; e se praticamos a política do “deixa andar que isso não é nada connosco”, estamos a demitirmo-nos das nossas obrigações de sermos parte ativa na construção da sociedade desenvolvida, mas justa, de que estamos tão carecidos.
Ouço com muito interesse os debates políticos, particularmente os que estão a decorrer para o próximo ato eleitoral, que irá acontecer no dia 30 do mês em curso. Pretendo saber o que cada partido tem para nos dar a conhecer em relação a uma sociedade avançada e de forte pendor social. Mas confesso-me desiludido, não só porque vejo muito debate com poucas ideias e projetos, mas ainda porque se fala muito em direitos e preocupações com determinados estratos da população, esquecendo-se outros que não são menos importantes na sociedade.
Recentemente, António Costa, primeiro-ministro e secretário Geral do Partido Socialista, em debate com Rui Tavares do Partido Livre, garantiu que o salário mínimo no país, em 2025, passaria ao valor de 850 euros. No entanto, António Costa omitiu os reformados e as suas modestíssimas reformas. Contudo, é esta faixa populacional, hoje bem numerosa, que, com sacrifícios por más condições de trabalho, muito ajudou a construir este país, e a quem muito se solicita o voto para eleger quem nos governe.
Lamento profundamente este esquecimento, de nada me admirando que tantos e tantos reformados se manifestem cada vez mais alheados dos processos eleitorais. Os reformados já foram muito úteis ao país e, até por essa razão, continuam a ser cidadãos de direitos na nação a que pertencem. Haja mas respeito por aqueles que, sendo hoje menos proveitosos, devem ser vistos, no tempo em que trabalharam, como os construtores de uma sociedade melhor.
Fernando Sá