Na primeira década deste século, residi cinco anos na Suíça, um dos países mais ricos do mundo, de economia de mercado livre e que me pareceu verdadeiramente democrático.
As decisões políticas mais relevantes, desde as autarquias ao governo confederal, eram plebiscitadas e a vontade maioritária, livremente expressa, era respeitada. Os partidos políticos, da direita à esquerda, apresentavam-se ao eleitorado com programas claros e exequíveis e quando vencedores dos atos eleitorais, cumpriam-nos quase religiosamente.
Estranhei que os partidos, mesmo os mais à esquerda, se apresentassem ao eleitorado com propostas tão ou mais conservadoras do que as anunciadas pelos partidos portugueses. Apreciei a simplicidade, transparência e clareza das leis em vigor e a excecionalidade do seu incumprimento. E admirei como o Estado, através dos seus funcionários públicos, se relacionava com os cidadãos, nacionais ou simples imigrantes, não só respeitosamente, como procurando facilitar-lhes o cumprimento dos seus deveres cívicos.
Embora a constituição helvética promovesse a construção de moradias e a posse de casa própria, mais de metade das famílias residiam em imóveis arrendados, quase 10% dos quais eram propriedade de instituições públicas de habitação social.
Entre nós, as maiorias socialistas têm elegido a habitação social como uma das suas prioridades, mas têm-se esquecido dela na sua execução. E só assim se pode explicar que, hoje, quase todos os fogos de habitação social existentes no concelho de Viana tenham sido adquiridos, construídos ou lançados antes de 1994.
Auguro que a atual maioria na Câmara de Viana, não seguindo a política das suas antecessoras, aumente o número de fogos de habitação social, graças à realização dos investimentos, já anunciados, da Estratégia Nacional de Habitação.