As eleições são uma manifestação de vitalidade da democracia, por isso, quase sempre vividas com determinado caráter festivo. No entanto, o ato eleitoral exige-nos deveres de que não nos podemos alhear. Como já é habitual, vamos ter campanhas nas quais tudo vai valer para conseguir o voto dos eleitores. Acontece assim em todos os países em que funciona a democracia, contrariamente àqueles onde predomina o poder sem eleições livres e funciona um poder absolutista, quase sempre dinástico.
Nestas, tal como em outras campanhas eleitorais, não vão faltar promessas de tudo fazer e muito dar; críticas, muitas críticas em relação ao muito que não se fez, com cada um a empurrar as culpas para quem já foi Governo. Se fosse possível, ridiculamente, até se culpariam aqueles que nunca sentiram o cheiro da governação. Não vão escassear as arruadas, as festas, os almoços e jantares, e as visitas a locais onde nunca se foi, mesmo quando lá havia problemas; e vai-se distribuir beijos e abraços à exaustão, sem esquecer um pé de dança nos mercados, com as senhoras, fatigadas de vender pouco, mas sempre dispostas a sacudir pessimismos, por minutos que seja.
É o trivial. É pena, no entanto, que para além desta prática recreativa se pense pouco na responsabilidade que tem cada eleitor ao depositar o seu voto, na urna, no dia próprio. Reflete-se pouco sobre as propostas de cada partido e da sua prática no cumprimento das mesmas; não se leem os programas eleitorais de quem os apresenta (sim, de quem os apresenta, porque alguns nem se dão a esse trabalho); não se avaliam as práticas dos partidos enquanto Governo ou oposição, criticando a esmo, não apresentando para debate propostas sensatas; e não se pondera quem são os que dispõem de melhores condições para conduzir o país para patamares de riqueza superiores.
Complementando, não se pensa sobre quem poderá equacionar as distorções de que sofre a nossa economia, os problemas demográficos, o envelhecimento da população, os custos sociais em permanente crescendo e, em debate sereno, com a sociedade no seu todo, fazer uma reflexão séria, de forma a abrir novos caminhos para nos igualarmos aos países que emparceiram connosco na União Europeia.
Refletir, refletir muito, começando bem cedo a fazê-lo, e debater em tudo o que é espaço apropriado, é o que se sugere. E não esquecer de se confrontar os políticos com as suas propostas, exigindo-lhes responsabilidades pelo passado e para o futuro. Se queremos ser parte dos destinos de Portugal, teremos que assumir as nossas obrigações. A Nação pede-nos esse esforço.
GFM