Exibido em 2020, é um filme que comporta uma história elucidativa dos meandros da droga, evidenciando o lastro pungente que, no âmbito familiar, essa dependência venal fomenta.
Baseado em factos verídicos, o filme realça essa vertente, focando uma relação crispada e traumática entre mãe e filha, originada pelo funesto vício, que deixou marcas profundas na mãe, por ter assistido vezes sem conta à degradação da sua filha.
Apesar deste panorama negro, o filme parece apontar uma réstia de esperança, com uma eventual conciliação, quando uma mulher jovem, na casa dos trinta anos, com aspeto de farrapo humano, toca à campainha da sua residência, após uma longa e penosa ausência.
Não obstante o estado lastimável de Molly, sua mãe Deb, relutante, recusa receber a sua filha, justificando tal drástica atitude pelas experiências funestas do passado, ao qual Molly, no seu pendor consumista de heroína e outras drogas, só trouxe desgraça ao seio familiar.
Contudo, não aguentando mais a angústia de ver pela janela a sua filha abandonada como um cão vadio, Deb aceita auxiliá-la, transportando-a a uma clínica para lhe aplicar a décima quarta desintoxicação, apesar da resistência frígida de Molly.
Depois desse tratamento, ineficaz para essa doença na qual Molly se mergulhou totalmente, um médico da instituição propõe às duas um método inovador, que podia ser determinante para erradicar a doença. Consistia na administração mensal de uma injeção com substâncias provenientes do ópio, com o intuito de afastar, gradualmente, as necessidades intrínsecas de Molly pelo uso de drogas.
Aderindo ambas ao repto lançado pelo médico, Molly é avisada pelo clínico que deve permanecer durante quatro dias sem drogas, para que, passados os efeitos da desintoxicação, possa ser inoculada com esse medicamento providencial. Deb, sabendo bem que esta é a única chance que Molly dispõe para se livrar deste pesadelo cíclico, que arruinou a felicidade de toda a família, decide vigiar e ajudar a sua filha a dar esse passo, convicta, talvez utopicamente, que é desta que a filha vai renascer para a vida.
Empenhada nesse objetivo, Deb faz tudo para entreter Molly durante esses quatro dias decisivos, arranjando forma dela rever os seus filhos menores, com estes em nítido desconforto, dada a incapacidade da mãe no cumprimento dos seus deveres maternais. Procurando não permitir que a filha seja afetada com essa contrariedade, Deb, acompanha Molly a instituições públicas para esta partilhar com os jovens as nefastas experiências do uso da droga, usando o seu exemplo para os elucidar sobre os perigos que daí advêm. Nesse curto, mas longo, período, Deb consegue ter um papel preponderante no seu melhor desempenho como mãe, esquecendo razões de separação e preferindo tratar com ternura e dedicação a sua frágil filha.