Porquê falar do Brasil e das eleições que acabaram de se realizar, quando tantos problemas temos no nosso país!? Independentemente do resultado, no qual a vontade soberana das urnas se fez ouvir, não podemos deixar de ter em conta a complexidade do mundo, onde o continente americano vive uma situação de profunda instabilidade e incerteza.
Quando o planeta se depara com tantos e tão grandes problemas, a exigir um entendimento de superior grandeza entre países, para dar as mãos e encontrar as melhores soluções com custos minimizados, que passa muito pelo não sacrifício das economias e consequente aprofundamento da pobreza, o que se constata é o caos completo que se vem instalando desde que foi eleito o atual Presidente dos EUA.
Não é preciso ser letrado para ver que Trump, com um misto de loucura e oportunismo, faz tudo para inverter a lógica do bom funcionamento das nações, insultando os seus governantes, asfixiando os seus sistemas financeiros, anulando acordos de décadas, invadindo-as, apossando-se dos seus recursos, e tantas outras tropelias, que ultrapassa tudo o que poderemos considerar de anormal.
Observe-se as consequências resultantes do ataque que foi feito ao Irão (independentemente do imoral estilo de regime neste país) com o seu amigo israelita Netanyahu, colocando boa parte do planeta em situações de desespero, resultante do brutal agravamento dos combustíveis e, particularmente, a Europa em que estamos inseridos, sem que se saiba como tudo vai terminar.
Nesta conjuntura sinistra, com boa parte da América Latina entendida com estas práticas trumpistas, o Brasil, a cair neste contexto, só contribuiria para agravar este quadro cinzento que se apresenta. O Brasil é já uma potência global, com a 10.ª maior economia do mundo e prestes a atingir a 8.ª posição. Paralelamente, detém uma combinação única de dimensões continentais, riqueza ambiental e relevância demográfica que lhe confere um potencial excecional.
E é isto que incomodou Trump. Pôr a pata no Brasil seria muito possível com o adversário de Lula nestas eleições, mas agora, como está provado, é bem mais difícil. É evidente que Lula da Silva vai ter pela frente uma tarefa hercúlea, tanto mais que não tem maioria nos restantes órgãos de poder, mas adiante se verá.
Portugal, no respeito mútuo por valores morais e da boa ética entre nações, continua a ter uma porta aberta para estreitar velhos laços de amizade e estabelecer acordos desde há muito desejados. Afinal, a porta que esteve quase a fechar-se manteve-se suficientemente aberta.