Quando vamos votar, podemos não pensar na importância dessa ação. Podemos ir votar como quem vai pagar uma conta, esperando não encontrar muita gente na fila e desejando não ter que cumprimentar ninguém. Podemos mesmo ir amuados, porque está frio, a chover, ou porque, se está Sol, se estava bem era na praia. Ou porque nos ocupam um domingo a seguir ao qual teremos mais um dia de trabalho. Ou por este ser um direito, ou um dever, que, em 2022, ainda nem 50% da população mundial tem, pelo que podíamos muito bem pertencer a essa metade da demografia que não tem que decidir. Ou porque todas as pessoas com cidadania de um país democrático podem votar quando, no século V a. C., em Atenas, no berço da democracia, apenas 20% das pessoas eram consideradas cidadãs e votavam, sinal que, se calhar, nem é preciso que toda a gente vote. Ou porque o voto é secreto e não se revela publicamente para que ninguém saiba em quem votámos, o que não tem interesse nenhum para publicar nas redes sociais. Ou porque tivemos a mais longa ditadura da História Europeia e muitas e muitos de nós, que já nascemos em democracia, estamos pouco habituados a assumir responsabilidades pelo futuro coletivo, para além de que dizer que são todos iguais continua a ser quase irresistível para a nossa que é a geração mais mimada de sempre. De facto, podemos nunca parar para pensar no significado simbólico e real que tem o momento no qual cada pessoa votante secretamente escolhe aquela que é para si a melhor das opções em disputa e junta essa sua escolha às de todas as outras pessoas que votaram, num sistema igualitário no qual cada ser humano vale um voto, sem distinção de cor, sexo, credo, identidade de género nem classe social, tomando parte na constituição de um compromisso cívico, válido por um período razoável mas limitado de tempo, visando a melhoria das condições de vida de todas as pessoas. Podemos nunca o fazer. Mas devemos sempre votar.
Outras Opiniões
Os leitores são a força que mantém vivo o jornal mais antigo de Portugal Continental.
Assine A Aurora do Lima por apenas 20€/ano!
Há 169 anos que o “A Aurora do Lima” faz parte da história económica e social do Alto Minho, com um impacto especial em Viana do Castelo. Este legado só é possível graças ao apoio dos leitores, que são o pilar mais importante na continuidade de qualquer jornal.
Para que esta caminhada de sucesso não tenha fim, convidamos a fazer parte desta história. Assine o “A Aurora do Lima” por apenas 20€/ano e tenha acesso a todos os artigos de um jornal com tradição, credibilidade e compromisso com a região.
Garanta já a sua assinatura e ajude-nos a manter viva esta tradição centenária!