“Você” é Estrebaria!

“Você” é Estrebaria!

Assinala-se o centenário do nascimento de Amadeu Costa. Vianense de gema, nascido na Ribeira, filho de gente humilde, o dileto filho da terra se fez à vida, no Portugal da primeira metade do século XX, da forma que era própria à maioria das pessoas: como pôde.

Foi guarda-livros (contabilista) de ofício principal e foi nessa condição que trabalhou em várias empresas de Viana do Castelo. A par com o ganha-pão, Amadeu Costa foi dando largas à sua vasta curiosidade, que parecia só encontrar paralelo no apreço que ganhou pela cultura vianense, em todas as suas manifestações: desportivas, etnográficas, musicais, teatrais.

É verdade. Honrar Amadeu Costa pelos insuperáveis serviços que prestou à cultura popular, nunca será demais. A cidade de Viana do Castelo deve-lhe o Museu do Traje e tantos milhares de páginas pelo seu punho escritas, com um rigor científico difícil de encontrar nos nossos dias. Mas considerar que Amadeu Costa foi apenas guarda-livros, ou etnógrafo, ou decorador, ou professor de natação, ou desenhador gráfico, ou angariador de apoios, ou dinamizador cultural, ou o que se quiser, é e será sempre redutor.

Da mesma forma que querer restringir a sua memória ao PCP, de que era simpatizante, tendo sido preso pela polícia fascista e com isso sido obrigado a pedir licença por tempo indeterminado e enfrentando as agruras que os marcados pelo regime salazarista tinham que enfrentar, ou querer restringir a sua ação política ao MDP, em que militou, será sempre diminutivo para a memória de alguém que prezava, acima de tudo, a liberdade.

É que qualquer “apenas” será injusto para uma personalidade da estatura cívica de Amadeu Costa. A sabedoria popular tem um epíteto para pessoas com tal versatilidade: diz-se que são homens ou mulheres “dos sete ofícios”. No entanto, a História definiu um termo para quem a tantas artes, ofícios e empreendimentos se dedicou, com a mestria com que o ilustre vianense que ora se homenageia fez: Homem do Renascimento. Assim foi e era Amadeu Alberto Lima da Costa.

E é com essa aura de excecionalidade que o seu exemplo deve ser transmitido à juventude. Para que ninguém duvide que em Viana do Castelo há pessoas capazes de guindar esta terra às mais altas glórias.

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