Domingo temos eleições. Dizem as sondagens que poderá ser fraca a participação dos eleitores em mais este ato eleitoral. Se tal acontecer, é mais um sinal do desinteresse que os portugueses vêm manifestando pelo sistema democrático vigente; por isso, preocupante e entristecedor.
Os nossos atos eleitorais, realizados em plena liberdade, regulamentados de acordo com todos os princípios democráticos, apresentam-se quase exemplares; o oposto do que se verificava no tempo do Estado Novo, em que as eleições não passavam de farsa, aos quais só podiam concorrer os apoiantes do Governo, com a oposição suficientemente amordaçada e os resistentes encarcerados. Hoje, pela forma modelar como sabemos eleger quem nos vai governar, podemos afirmar que somos um exemplo para o mundo. Não é por falta de esclarecimento e de liberdade de ação que nos podemos inibir e não participar em cada ato eleitoral.
As eleições são uma componente forte dos vários direitos que nos assistem, não havendo desculpas para a não participação popular nos destinos do país. Uma nação só pode ter grandeza, quando cada cidadão, conscientemente, lhe dá o seu contributo, de acordo com as suas qualidades e limitações. Nenhum espaço com fronteiras se faz grande e próspero se não for suficientemente debatido, participado e coletivamente construído. O pior que pode acontecer numa sociedade é a maioria dos cidadãos deixar os seus destinos na mão de alguns. E, infelizmente, vai sendo o que mais se pratica entre nós.
Debatemos muito, mas é, quase sempre, para dizer mal de tudo e de todos em tertúlia de café, regularmente a partir de pouco esclarecimento, tendo como argumento o que consta, o que se vai dizendo na praça pública, esquecendo que a crítica, bem fundamentada, exercida no local próprio, é um excelente contributo para a boa gestão do nosso pequeno espaço. Diz-se com frequência que temos maus políticos e que estes vivem a defender interesses próprios, esquecendo o coletivo, mas somos nós que temos o privilégio de os eleger.
É de suma importância votar, esforçando-nos para escolher os melhores. No próximo domingo, prezado leitor, não entregues os teus direitos a terceiros; exerce-os, contribuindo para a construção de uma nação de valores. Queiras ser um exemplo para aqueles que hão de vir, encontrando um país próspero, no qual também tu foste um agente da prosperidade. GFM