A terceira edição dos Vinhos do Atlântico – Festa da Ribeira Minho, realizada em Valença nos dias 5 e 6 de junho, confirmou a crescente relevância desta iniciativa na valorização do setor vitivinícola do Alto Minho e reforçou o papel pioneiro do Município de Valença na afirmação da identidade atlântica dos vinhos produzidos no Noroeste Peninsular.
Neste contexto, assume particular importância o projeto liderado pelo Município de Valença para a criação de uma nova sub-região da Região Demarcada dos Vinhos Verdes, envolvendo os municípios de Valença, Caminha, Paredes de Coura e Vila Nova de Cerveira.
Recentemente, os quatro municípios aprovaram a realização de um estudo técnico conjunto que permitirá fundamentar a candidatura, caracterizando a produção existente e identificando os fatores diferenciadores que sustentam a valorização dos vinhos deste território.
Para o Município de Valença, este processo representa a concretização natural de um trabalho iniciado em 2024 com o lançamento do Vinhos do Atlântico, que desde então tem procurado promover o conhecimento, o debate e a valorização das especificidades dos vinhos produzidos neste território.
Um dos momentos centrais da edição de 2026 do evento Vinhos do Atlântico – Festa da Ribeira Minho foi o Fórum “Diálogos de Fronteira”, que reuniu especialistas portugueses e galegos em torno da identidade e do potencial dos vinhos de influência atlântica do Noroeste Ibérico. O debate evidenciou o património vitivinícola comum entre a Galiza e a Região dos Vinhos Verdes, sustentado por fatores naturais, culturais, históricos e humanos. As características distintivas associadas ao clima atlântico, nomeadamente frescura, acidez natural, elegância, mineralidade e forte aptidão gastronómica foram destacadas. Ficou patente o reconhecimento de que a identidade dos vinhos atlânticos do Noroeste não resulta apenas das condições naturais, mas também da cultura vitivinícola construída ao longo de séculos pelas comunidades do Minho e da Galiza, integrando a transmissão inter-geracional do saber e técnicas de condução da vinha, gestão vitícola e enológica, assim como o valioso património genético de castas autóctones.
Bruno Almeida, Barcos Wines, defendeu o enorme potencial estratégico dos Vinhos do Atlântico do Noroeste Ibérico nos mercados internacionais, numa conferência onde enquadrou o Noroeste Ibérico no denominado “Corredor Atlântico Premium”, ao lado de algumas das mais prestigiadas regiões vitivinícolas de influência oceânica do mundo.
Para o Município de Valença, os resultados alcançados demonstram que os Vinhos do Atlântico se afirmam como uma iniciativa estratégica para o desenvolvimento económico, turístico e cultural do território. A realização do estudo para a criação da nova sub-região representa um passo decisivo neste percurso, que visa reforçar o reconhecimento dos vinhos produzidos neste território atlântico e posicionar o Alto Minho como uma referência europeia dos vinhos de clima fresco e influência atlântica.

