A CERCAMINHA acaba de dar um passo em frente

A Comunidade de Energia Renovável de Caminha (CERCAMINHA) deu um passo decisivo para se tornar uma rede inter-autárquica de âmbito concelhio. Pretende-se a longo prazo que esta comunidade seja aberta a Todos os Munícipes do concelho de Caminha.

Recorda-se que a CERCAMINHA é uma Associação de Direito Público, registada com o NIPC 518 791 998, enquadrada pelo Decreto-Lei n.º 15/2022, de 14 de janeiro, diploma que regula o autoconsumo coletivo e as Comunidades de Energia Renovável (CER) em Portugal e foi constituída inicialmente apenas com dois parceiros fundadores — o Município de Caminha e a União de Freguesias de Moledo e Cristelo. 

Na passada na terça-feira, dia 21 de abril, o Município de Caminha reuniu com todos os presidentes de Junta de Freguesia do concelho, cujo objetivo foi alargar a CERCAMINHA, apresentando o enquadramento jurídico-financeiro do projeto, os benefícios da adesão e o modelo de parceria em vigor. 

Para o Município de Caminha esta reunião mudou a escala deste projeto. A missão desta comunidade centra-se na produção de energia a partir de fontes renováveis — sobretudo solar fotovoltaica —, na partilha dessa energia entre os membros e na redução estrutural das faturas energéticas das entidades aderentes.

Um dos aspetos mais relevantes para as juntas de freguesia é o modelo de financiamento: o investimento inicial (CAPEX) e os custos de operação e manutenção (OPEX) ficam centralizados no Município de Caminha, que assume o papel de Entidade Gestora do Autoconsumo Coletivo (EGAC). As juntas aderentes não têm, portanto, de comprometer os seus orçamentos — apenas disponibilizam coberturas de edifícios, pavilhões e espaços públicos para a instalação dos sistemas fotovoltaicos, e comprometem-se a consumir a energia localmente produzida.

O financiamento do projeto assenta nos instrumentos de fundos comunitários do Portugal 2030.

A CERCAMINHA avança para as fases seguintes do seu roteiro de implementação: auditorias energéticas às instalações das freguesias aderentes, elaboração do anteprojeto técnico, obtenção de pareceres junto da DGEG (Direção-Geral de Energia e Geologia) e da E-Redes, e subsequente candidatura formal aos fundos comunitários. 

O Município de Caminha sublinha que a longo prazo da CERCAMINHA vai além das autarquias. Pretende-se que qualquer munícipe do concelho de Caminha — cidadãos, empresas e outras organizações locais — possa aderir à comunidade, beneficiando diretamente da energia renovável produzida no território. Esta abertura está alinhada com o princípio de adesão voluntária e não discriminatória que o quadro legal europeu e português impõe às Comunidades de Energia Renovável. 

A escala coletiva da CERCAMINHA permite condições de acesso ao mercado de energia que nenhum consumidor individual conseguiria obter por si só.

Jornalista natural do distrito de Viana do Castelo com um percurso, sobretudo, pela Informação Regional. Exerce funções há cerca de três décadas no A AURORA DO LIMA, com foco na atualidade noticiosa vianense e alto-minhota.

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