A “Devoção da Hora” celebrada na quinta-feira da Ascensão é a tradição religiosa, poética e popular, com raízes ancestrais, mais bonita e de enorme significado, que se vive em Alvarães.
Esta celebração, hoje totalmente realizada na igreja Matriz é um ato de agradecimento a Deus (à Natureza) pelos frutos e colheitas que a terra promete dar.
Há muitos anos, realizava-se neste dia (Ascensão do Senhor) uma Procissão que ia pelos campos de Alvarães, num contexto de sociedade vincadamente agrária, e onde o sacerdote que presidia ao ato benzia as terras e as sementeiras em plena Primavera.
A Procissão tinha hora marcada para chegar à igreja, por volta das 13 horas (uma hora da tarde), seguindo-se uma Eucaristia onde o povo cantava, rezava e respondia às preces invocativas do pároco que voltava a pedir as graças divinas para os campos e as boas sementeiras. Como tributo de fé e de agradecimento, as crianças lançavam flores, principalmente rosas, sobre o altar-mor, sobre o sacerdote e sobre os fiéis.
A tradição mantém-se até hoje. Em quinta-feira da Ascensão, Alvarães continua a viver anualmente, com fé e alegria, esta cerimónia colorida e perfumada por pétalas de rosas lançadas por crianças durante a parte final da Eucaristia que marca o início das Festas de Santa Cruz.
Esta cerimónia, a “Devoção da Hora” continua a ser muito querida do povo que neste dia enche por completo a igreja Matriz.
Dezenas de crianças, as meninas vestidas de branco e os meninos com roupas domingueiras, participam nesta cerimónia, com entusiasmo e alegria, lançando flores sobre o celebrante e sobre o povo num ato contínuo que se prolonga enquanto dura este cerimonial antigo de se cantar uma estação que consta de seis “Pater Noster”, seis Avé-Marias, seis Glória Patri, assentes num ritmo musical particularmente de índole popular e pronunciado com parecenças a latim.
