Caminha veste-se a rigor para Caminha Medieval 2025 que começa quarta-feira

A Vila de Caminha prepara-se para mais uma viagem no tempo. Caminha Medieval 2025 vai ter como tema “Pax Dei” (Paz de Deus), que não podia ser mais atual, e nos leva até uma época, há mais de mil anos, em que se achou por bem estabelecer regras em tempo de conflito/guerra e proteger certas categorias da população. As ruas da Vila de Caminha já estão a “vestir-se” a preceito e, até quarta-feira, dia 23, dia da abertura de Caminha Medieval, a azáfama dos preparativos não vai parar. Depois são cinco dias de magia, muita cor, muita alegria e muita animação, apoiados pela boa gastronomia e todo o tipo de produtos que, todos os anos, atraem muitos milhares de pessoas ao coração do Centro Histórico de Caminha.  

“Pax Dei” (Paz de Deus) remete-nos para o Concílio de Charroux, uma reunião eclesiástica realizada em 989 na Abadia de Charroux, em França, com o patrocínio do Duque Guilherme IV de Aquitânia. O Concílio ficou na História da Igreja e da História Medieval por ser um dos primeiros a tratar o tema da Paz de Deus. 

Em síntese, pode dizer-se que, em plena época medieval, a Pax Dei (Paz de Deus) assentava na premissa que um cristão não podia matar ou fazer mal a outro cristão. Proibia expressamente as pilhagens, os roubos, os atos de violência contra as populações e procurava excluir do envolvimento nas guerras os indefesos (velhos, mulheres, crianças, clérigos, gente desprotegida).

Em tempo de guerra teve um papel importante no desenvolvimento do código de cavalaria medieval, que, por sua vez, influenciaria o comportamento dos cavaleiros e a ética guerreira.

E havia punição. O Concílio estabeleceu a excomunhão como castigo para aqueles que violassem a paz e atacassem pessoas ou propriedades protegidas – na época não era pouco, dada as consequências que se podem adivinhar de tal excomunhão! 

E os mercadores, saltimbancos, cavaleiros e todas aquelas personagens que estamos habituados a ver pelo Centro da Vila de Caminha, por altura de Caminha Medieval, já estão a caminho. Chegam todos, como referimos, esta quarta-feira.  

O programa, que será divulgado na íntegra muito em breve, é extenso e traz surpresas – caso, entre outros, do Concerto de BalFolk – Danças do Mundo Medieval. Os “Flôr da Pele” são os protagonistas – a banda portuguesa de Balfolk promete um concerto com muita energia, onde as mazurkas, schottisches e outros ritmos tradicionais convidam o público a dançar e participar ativamente. 

É mais uma oportunidade de interação entre artistas e personagens diversas com o público, o que carateriza também as edições de Caminha Medieval.

Fundado a 15 de dezembro de 1855, tem como objetivo principal a defesa intransigente dos interesses e das reivindicações legítimas das populações, e do progresso económico, cultural e social da região onde se publica.

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