Edil courense alerta que a ameaça à agricultura é a regulamentação criada pelo Estado

O presidente da Câmara de Paredes de Coura alertou o Governo, na pessoa do secretário de Estado da Agricultura, que “a maior ameaça à agricultura é a regulamentação feita pelo próprio Estado, em muitos casos decorrente da PEPAC- Plano Estratégico da Política Agrícola Comum”.

No colóquio “Raças Autóctones de Bovinos e apresentação do Programa de Apoio à Redução da Carga Combustível através do Pastoreio”, que decorreu em Paredes de Coura, o autarca Tiago Cunha elencou algumas das dificuldades com que se debatem ou agricultores courenses: “não poderemos ter animais se as regras de encabeçamento restringem progressivamente o número de animais permitidos por hectare, como resulta da regulamentação da ZEC (Rede Natura 2000), regulamentada no mês passado”, constatou o presidente da Câmara, acrescentando que “não poderemos ter animais se os baldios, aos olhos da PEPAC, são terrenos incultos e as práticas tradicionais locais não são compatíveis com, por exemplo, o modo de produção biológico”.

O autarca courense foi mais longe no diagnóstico às preocupações dos agricultores locais, argumentando que “não poderemos ter animais nem paisagem se as regras de indemnização de ataques por lobo exigem cercas de gado com pescoço de cavalo, mais de 2 metros de altura”, da mesma forma que a “tramitação digital do sistema de indemnização é feita por pessoas que nunca na vida operaram um computador”, sublinhou.

Coura vai candidatar-se a “Sistemas Importantes do Património Agrícola Mundial”

Tiago Cunha defendeu que “os agricultores são os maiores ambientalistas neste momento em Paredes de Coura” e avançou com algumas propostas para melhorar o estado da agricultura a ultrapassar todos estes condicionalismos: “estamos também preocupados com o regadio tradicional e com a eficiência hídrica”, argumentando, no entanto, que o encanamento e colocação de caudalímetros, exigida sempre que são feitas intervenções, é impossível. Pode pôr em causa a paisagem. Era importante um regime de exceção para a conservação destes sistemas”, alertou o autarca.

Explicando que Paredes de Coura será sempre parte da solução e nunca do problema, Tiago Cunha  apontou a necessidade da ação governamental apontando como exemplo a transição energética na agricultura: “a possibilidade de criar comunidades energéticas rurais com a recuperação de estruturas agrícolas (moinhos e engenhos) e dar-lhes uma nova vida como forma de conservar estas estruturas e contribuir para a transição energética”, projetou o autarca courense, que num outro âmbito apontou a possibilidade de candidatar a paisagem courense a “Sistemas Importantes do Património Agrícola Mundial”, (SIPAM ou GIAHS na sigla inglesa), mas também que a PEPAC inclui-se medidas específicas focadas na conservação, sustentabilidade e valorização”, concluiu.

O colóquio “Raças Autóctones de Bovinos e apresentação do Programa de Apoio à Redução da Carga Combustível através do Pastoreio” foi organizado pela Direção-Geral de Alimentação e Veterinária e contou com a participação da AG PEPAC, dos Secretários Técnicos das Raças Autóctones Minhota e Cachena, da FERA, da Associação de Desenvolvimento Rural do Vale do Minho, entre outras, que participaram numa mesa-redonda coordenada pelo Nuno Vieira e Brito.

Jornalista natural do distrito de Viana do Castelo com um percurso, sobretudo, pela Informação Regional. Exerce funções há cerca de três décadas no A AURORA DO LIMA, com foco na atualidade noticiosa vianense e alto-minhota.

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