Com a presença de 170 representantes de títulos da Imprensa Regional e Local de todo o país, está decorrer, no Centro da Juventude de Braga, o Encontro Nacional da Imprensa Local e Regional (Impressa e Digital).
A contribuição para a construção de um Portugal democrático e a revitalização e sustentabilidade, é o mote desta iniciativa que abriu com a intervenção do presidente da Câmara de Braga, Ricardo Rio. Este enfatizou o facto de Braga ser um caso exemplar no deserto de notícia que afeta cerca de metade dos concelhos do país, já que tem dois jornais diários, rádios locais e meios de comunicação digitais.
O autarca defendeu mesmo que a Imprensa Regional, mais do que nunca, tem um papel fundamental, desde logo pela proximidade com as populações locais e também das espalhadas pelo diáspora. Ricardo Rio defende mesmo que tem de existir uma capacitação e investimento nesta Imprensa de proximidade, desde logo pelo Governo contribuir para dotar estes órgãos de comunicação social e que os fundos comunitários tenham uma presença cada vez mais forte.
Eduardo Costa destacou a importância da Imprensa Regional para o dinamismo económico e cultural dos territórios. Dirigindo-se ao secretário de Estado com a tutela da comunicação social, Carlos Abreu Amorim reconheceu-lhe o seu apreço e empenho pelo setor, manifestando-lhe o seu desejo para que continue no cargo, mesmo que, em consequência da crise política e eleições antecipadas, o Governo venha a ser outra força política, estando o atual já limitado a meras funções de gestão. Enfatizou o trabalho que já realizou, consciente de que as coisas se façam “passo a passo”, conscientes de que o “caminho faz-se caminhando”.
Deixou um lamento de quase todos os dias lhe chegarem informações de órgãos da Imprensa Regional e Local que estão a desaparecer e da necessidade que também o Governo implemente medidas para travar isso, referindo ser seu objetivo e convicção, como presidente da ANIR, de até 2030 recuperar essas jornais e de sensibilizar governantes para a questão, como sucede com Carlos Abreu Amorim. Paralelamente, deixou preocupações também com autarquias como meios que se apresentarão como, supostamente, de comunicação social feito pelas equipas de comunicação das mesmas
Eduardo Costa sublinhou também a necessidade ainda maior da Imprensa como meio credível e confiável, sustentada em códigos e valores, junto dos leitores, sobretudo numa altura em que os fake news ganham cada vez mais espaço. Lembrou que “60 por cento dos concelhos sem o único órgão de comunicação social credível”.
Já Carlos Amorim avisou que o Governo já estava com funções limitadas por estar em funções de mera gestão, embora achasse que existam situações em que poderiam ter mais poderes. Desde logo, destacou a importância de, importância para a Democracia e a existência de um Estado de Direito, exista uma comunicação socia livre e isenta. Falou do tempos em que se olhava para a Imprensa Regional e Local com paternalismos e simpática, mas que faltava o que era mais premente, o de por dinheiro onde se põe a boca, bem como o de criar medidas no sentido de ocorrer, desde logo, a situações mais urgentes.
Falou de medidas já implementadas, desde logo por conseguir que os jornais sejam distribuídos nos quatro concelhos onde já não o eram e ter promovido medidas para obstar a que isso se alastrasse a mais de duas dezenas de concelhos, como estava previsto. Lembrou medidas que ainda teve tempo de por no terreno, como a duplicação do porte pago (para 80%) até ao final do 1º trimestre do presente ano, bem como o acesso a fundos europeus, as medidas para permitir, desde logo, projetos de literacia mediática (entre 2025 e 2029) nas escolas e da comparticipação na assinatura dos jornais generalistas e de economia para jovens entre os 14 e os 18 anos (mas que quer, no futuro, que se estenda aos órgãos regionais e locais). Deixou, porém, a promessa de deixar, para quem lhe suceder no cargo, uma “pasta de transição” para quem lhe suceder em funções.
Os trabalhos da parte da manhã só terminaram perto das 14h, ainda com intervenções de Paulo Cunha, ex-presidente da Câmara de V.N. Famalicão e eurodeputado do PSD) e de Joana Mortágua (autarca em Almada e deputado do Bloco de Esquerda).
Paulo Cunha manifestou o seu respeito pela Imprensa desde sempre, nomeadamente nos tempos de autarca, como a frisar a importância do apoio para a mesma com vista ao desenvolvimento da comunidade e de, como deputado europeu, promover a visitar da imprensa à seda da União Europeia, em Bruxelas, notando que para intervir também localmente é preciso uma abordagem global.
Joana Mortágua começou por notar que as funções do Governo de gestão estão previstas na Constituição, refutando argumentos de Carlos Abreu Amorim para a limitação de um Governo nessa situação a avançar com algumas medidas. Nesse âmbito, lembrou que um Governo de gestão do qual Carlos Abreu Amorim fez parte, promoveu, em tempos, a privatização da TAP. Depois, destacou e enfatizou o facto de uma página do Facebook e do um boletim municipal não serem, nunca, órgãos de comunicação social.
Na foto, Eduardo Costa e Carlos Abreu Amorim
