Ontem, foi inaugurada a linha de muito alta tensão entre Fontefria e Ponte de Lima após um investimento de 70 milhões de euros do lado português.
A cerimónia decorreu em Arbo, na Galiza, junto à fronteira com Portugal, presidida pela ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, e pela sua homóloga espanhola, a vice-presidente e Ministra para a Transição Ecológica e Desafio Demográfico de Espanha, Sara Aagesen, e com os responsáveis das entidades gestoras das redes de transporte de eletricidade dos dois países.
Classificada pela Comissão Europeia como Projeto de Interesse Comum, a nova interligação aumenta a capacidade de intercâmbio entre Portugal e Espanha em cerca de 1.000 MW, e eleva a capacidade sustentada para mais de 3.000 MW em ambos os sentidos.
Esta infraestrutura reforça a robustez e a flexibilidade do sistema elétrico ibérico, melhora a segurança de abastecimento e contribui para uma utilização mais eficiente dos recursos energéticos dos dois países. Permitirá ainda integrar cerca de 281 GWh adicionais de energia renovável por ano e evitar a emissão de aproximadamente 113 mil toneladas de dióxido de carbono anuais.
Do lado português, o investimento ultrapassou os 70 milhões de euros, dos quais 44 milhões de euros correspondem à construção da linha e 26 milhões à edificação da nova Subestação de Ponte de Lima, em serviço desde dezembro de 2025.
A nova interligação liga os sistemas elétricos de Portugal e Espanha através do distrito de Viana do Castelo e das províncias de Pontevedra e Ourense. Em território nacional, a infraestrutura desenvolve-se ao longo de cerca de 68 quilómetros, desde a fronteira até à Subestação de Ponte de Lima, tendo o traçado sido definido de forma articulada entre os dois operadores de rede e sujeito a exigentes avaliações ambientais, sociais e técnicas.
Ao longo da fase de desenvolvimento foram realizados estudos detalhados para minimizar os impactos sobre o território, assegurando a proteção dos valores naturais e patrimoniais e o cumprimento das normas ambientais e de segurança de ambos os países.
A ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, sublinhou que “esta nova interligação representa mais um passo decisivo para reforçar a segurança energética de Portugal e Espanha e para aprofundar a integração do Mercado Interno da Energia. As interligações tornam os sistemas elétricos mais resilientes, permitem uma maior integração das energias renováveis e traduzem-se em benefícios concretos para os consumidores e para a competitividade da economia. Este projeto reforça a posição conjunta que os dois países têm defendido junto da União Europeia: a necessidade de continuar a investir nas interligações”.
“Portugal continuará a trabalhar com Espanha e com as instituições europeias para eliminar os constrangimentos que ainda limitam a plena integração energética da Península Ibérica no mercado europeu”, assegurou, ainda, Maria da Graça Carvalho.
A nova interligação integra o conjunto de investimentos previstos no planeamento das redes de transporte de eletricidade de Portugal e constitui uma infraestrutura essencial para aumentar a integração de energias renováveis, apoiar a eletrificação da economia e reforçar a autonomia e a resiliência energética da União Europeia.

