No próximo sábado, dia 20 de setembro, será inaugurado na Avenida Mário Soares, em Ponte da Barca, um dos maiores murais artísticos do Norte de Portugal. A obra, com 1.555 metros quadrados de área e 300 metros lineares, é da autoria do artista venezuelano Juan Domingues e tem como figura central Fernão de Magalhães, e a sua viagem de circum-navegação.
Este mural de grande dimensão estabelece uma narrativa visual que une a epopeia marítima portuguesa à identidade e à memória coletiva do Minho. A água, tema central e fio condutor da obra, evoca o rio Lima, o oceano das grandes viagens, bem como as movimentações da História e das pessoas.
Para além de Fernão de Magalhães, a composição integra elementos simbólicos do património local, como os espigueiros, a ponte medieval, a pedra dos namorados, o Mosteiro de Bravães e o Castelo de Lindoso. O mural também apresenta ornamentos inspirados nos tradicionais bordados minhotos, criando uma fusão entre a arte contemporânea e as raízes culturais da região.
A dimensão literária da obra é reforçada pela inclusão de versos de Diogo Bernardes, importante poeta quinhentista natural de Ponte da Barca, cuja poesia ecoa ao longo do mural, aproximando arte, literatura e história numa única expressão cultural.
Outras imagens significativas, como uma mulher em trajes tradicionais minhotos, e duas meninas gémeas a brincar com barcos de papel, metáfora da diáspora e das partidas sem regresso certo, acrescentam camadas de significado à narrativa visual, enriquecendo o diálogo entre passado e presente.
A criação deste mural, que decorreu ao longo de dois meses, permitiu um acompanhamento em tempo real por parte da comunidade, estabelecendo uma relação de proximidade entre a população local e a arte urbana contemporânea. O projeto é já considerado o maior mural realizado por um só artista no Norte de Portugal, assumindo um papel central na valorização do espaço público e na dinamização cultural da vila.
Com a coordenação artística e comunicação da zet gallery, a iniciativa é do Município de Ponte da Barca e visou requalificar urbanisticamente a entrada oeste da vila, valorizar o património cultural local, estimular o diálogo entre arte contemporânea e história, e posicionar Ponte da Barca como um destino cultural de referência na região do Minho.
