O Presidente da República, António José Seguro, destacou, este domingo, em Vila Nova de Cerveira, a identidade singular do concelho enquanto território de fronteira, sublinhando a sua capacidade histórica para transformar a proximidade com Espanha num espaço de encontro, cooperação e criação.
A intervenção do Presidente da República ocorreu no âmbito da visita oficial a Vila Nova de Cerveira, com receção nos Paços do Concelho, seguida de uma visita à XXIV Bienal Internacional de Arte de Cerveira, dedicada ao tema “Territórios sem Fronteiras”, numa ocasião em que defendeu que a fronteira deve ser entendida não apenas como uma linha geográfica, mas como um espaço de contacto entre pessoas, culturas e ideias.
“Quem vive na fronteira aprende cedo – e desaprende cedo – que o outro lado não é uma ameaça: é uma vizinhança”, afirmou, salientando que Vila Nova de Cerveira “sempre soube ser fronteira sem se fechar”.
Para o chefe de Estado, essa experiência assume particular relevância num momento em que “as fronteiras voltam a ser discutidas”, apesar da livre circulação, da Internet, da comunicação instantânea e da crescente interdependência entre sociedades.
Nesse contexto, considerou que a Bienal de Cerveira adquire uma “urgência” renovada e destacou a pertinência do tema “Territórios sem Fronteiras”, enquanto reflexão sobre a fronteira como construção mental e sobre a capacidade da arte contemporânea para ultrapassar as contingências da geopolítica, das guerras e das divisões.
O Presidente da República sublinhou ainda o papel da arte na identificação das “linguagens do futuro”, defendendo que o poder político deve estar atento aos sinais que a criação artística transporta e às questões que antecipa.

