De acordo com dados da Sociedade Ponto Verde (SPV), a região Norte alcançou em 2024 uma retoma média de 48,6 quilos de embalagens por habitante, acima da meta nacional definida para esse ano (44,9 quilos) e também acima do desempenho médio do país, que registou apenas 57,8% de taxa de retoma de embalagens quando o objetivo europeu para 2025 é de 65%.
Entre 2020 e 2024, o crescimento na região foi de 15%, acompanhado por um aumento de 37% nos valores de contrapartida pagos aos sistemas de gestão de resíduos urbanos (SGRU), que passaram de 25,5 milhões de euros em 2020 para 35 milhões em 2024.
Apesar dos progressos, o vidro continua a ser o maior obstáculo. A retoma deste material aumentou apenas 9% entre 2020 e 2024, apesar de os valores de contrapartida financeira terem subido 27%.
No detalhe local, observam-se disparidades marcadas: municípios como Braga e Porto apresentam resultados próximos da meta para 2025, enquanto outros, como Valença e Vila Real, permanecem ainda longe de atingir até a meta de 2024, confirmando a forte desigualdade entre sistemas de gestão na região mais populosa do país. Como resultado, a região no seu conjunto permanece abaixo da meta para o vidro em 2024, com parte significativa dos sistemas ainda longe dos objetivos de 2025.
Com o reforço do investimento a nível nacional no Sistema Integrado de Gestão de Resíduos de Embalagens (SIGRE) — que ascenderá a 219 milhões de euros em 2025, mais 99 milhões do que no ano anterior —, as autarquias nortenhas assumem agora uma responsabilidade acrescida. A Sociedade Ponto Verde defende que o financiamento que cabe a esta região tem de se traduzir em resultados concretos e visíveis: mais ecopontos, recolhas mais frequentes, inovação tecnológica e envolvimento ativo dos cidadãos. “No Norte, onde a pressão urbana e industrial é maior, a gestão de resíduos não pode ser apenas uma resposta técnica. Tem de ser encarada como prioridade política, com impacto direto na qualidade de vida, na justiça ambiental e no futuro coletivo”, afirma Ana Trigo Morais, CEO da Sociedade Ponto Verde.
No plano nacional, a taxa de retoma de embalagens foi de 57,8% em 2024, ainda aquém da meta de 65% para 2025. Mesmo com um investimento de 95 milhões de euros só no primeiro semestre de 2025, o aumento da taxa foi de apenas 2% face ao ano anterior, e registou-se uma quebra de 1% na reciclagem de vidro, equivalente a menos 1.300 toneladas.
Perante este cenário, a SPV apresenta propostas concretas: reforçar a colocação e manutenção de ecopontos, aumentar a frequência das recolhas, investir em sensores de enchimento e rotas inteligentes, desenvolver sistemas de depósito com reembolso, implementar mecanismos de recompensa para quem separa corretamente os resíduos, apoiar cadeias de produção locais mais circulares e reforçar a literacia ambiental em escolas e comunidades.
Com este manifesto regional, a Sociedade Ponto Verde pretende colocar a sustentabilidade na agenda política local, num momento em que o tema permanece praticamente ausente do debate autárquico. “Mais do que discutir metas distantes, trata-se de promover soluções de proximidade, capazes de transformar investimento em impacto e garantir que o Norte seja motor da sustentabilidade nacional”, reforça Ana Trigo Morais.
