Realizado no último sábado, o Skate & Music Fest não foi sequer celebrado em Darque. Acolheu-o o Skate Park de Viana, localizado às portas do Parque da Cidade. Organizou-o, todavia, a SIRD (Sociedade de Instrução e Recreio Darquense), escudada pela Junta de Freguesia de Darque. Ligaram-se à causa outros parceiros, juntou-se ainda a Câmara Municipal.
Ao longo da tarde do dia 25/06, aproximaram-se estilos, apreciou-se a diversidade cultural. Houve espaço para o desporto, através da prática do Skate, assim como para a música, para o teatro e arte urbana. “A nossa intenção é provocar esta disrupção”, afirmou Amadeu Palhares ao “A Aurora do Lima”, logo ao primeiro depoimento prestado. O presidente da Direção da SIRD descreveu, de forma muito própria, o evento preparado: “Esta é uma abordagem diferente, em que se mistura o Skate com o Rock. As pessoas poderão até pensar, ‘mas isto não tem nada a ver, não é música o Skate, e o Rock não é desporto’, mas a verdade é que se conjuga na perfeição. O Skate, Street Art, géneros musicais como Rock, Pop, Blues é algo que deve prevalecer, e ainda por cima conjugados na natureza, é algo muito profícuo”, constatou.
O caráter diferenciador da iniciativa não deixou de ser reafirmado adiante. Questionado acerca da possibilidade de se estar perante o começo de algo novo, até para a própria oferta cultural local, Amadeu Palhares não teve dúvidas: “Eu acho que sim. A cidade precisa disto. A cidade precisa, de facto, de música tradicional, precisa de exposições, precisa de todas as formas de arte, mas esta é uma área que ainda não foi muito ‘tocada’ na nossa cidade, e respondendo assertivamente, queremos continuar a fazer e a fortificá-la”. O dirigente máximo da SIRD provou deter ideias bastante concretas face ao futuro e caminhos a percorrer, em direção à mudança abordada: “Só é possível marcar e carregar essa diferença se ela for cíclica”, afirmou.
Os momentos de conversa seguintes tiveram um só interesse: a SIRD. Abordadas as dificuldades do presente e do passado recente, “pelo facto de não ter condições, de não ter o edifício funcional desde há cinco anos para cá”, os tempos que se vivem parecem indiciar novos sinais: “Dado que agora estamos um pouco mais desconfinados, é nosso dever, apesar de não termos edifício, descentralizar esta nossa ideia, esta nossa prática”. Assim terá, aliás, surgido o envolvimento no acontecimento do mais recente fim de semana: “A SIRD, neste caso através de uma secção interna, como a escola de música, juntamente com os vários parceiros, com ajuda da Câmara Municipal e da Junta de Freguesia, conseguiu traduzir esta força coletiva neste resultado, que é fantástico”. De acordo com o responsável, o evento “deverá ser repetido”.
Relativamente a outras ideias e à respetiva materialização, ainda que consideradas as limitações atuais, o futuro próximo parece trazer propósitos consistentes: “Queremos fazer outras coisas como, por exemplo, teatro musical. Gostaríamos muito de criar alguma justiça a ativos muito identificados de Darque, como por exemplo o Santoinho, que foi e continua a ser um encontro de gerações. São já 50 anos… é um ativo que tem características museológicas muito fortes, que acho que deve ser teatralizado. Se temos secções internas ligadas à arte, porque não protagonizá-lo dessa forma? O que nós queremos fazer é juntar vontades, juntar pessoas e fazer um evento multidisciplinar, multicultural e sem dúvida que o teatro é um expoente máximo, que contém dança, representação, canto. Queremos mostrar ao povo o que Darque tem de bom”, definiu.
Para o fim, as derradeiras premissas: a requalificação da sede da SIRD, o que tem sido feito para que tal suceda, o que está planeado e para quando a reabertura. De uma assentada, teve-se nos “graves problemas causados por toda a flutuação de preços existente”, fator determinante. De acordo com Amadeu Palhares, estabeleceu-se o objetivo de elaborar “uma requalificação ao nível do conforto térmico, acústico e até funcional, ao nível do palco também”, que estará, no fundo, tripartida. A primeira fase está, segundo o mesmo, concluída: “…o mais premente seria resolver as infiltrações de água provocadas por um teto que praticamente não existia, que estava completamente obsoleto. Isso já está realizado”. Seguem-se a reconversão do bar, “um compartimento de boas-vindas, que cria toda a dinâmica do espaço” e “que precisava de uma intervenção a fundo” e a última das etapas, que apostará “no conforto térmico, na caixilharia, capoto, no taco, no palco, nas barras, em toda a mecânica”.
Convidado a retratar o momento que poderá marcar a retoma definitiva do edifício, o representante não abdicou da antevisão: “Eu julgo que em março ou abril do próximo ano teremos a SIRD apta ou em fase de discutir quando se dará o termo da intervenção”, concluiu.
Presença notada no local do Skate & Music Fest, Augusto Silva falou, também, ao “A Aurora do Lima”. Entre outros pormenores narrados, o presidente da Junta local projetou mesmo a possibilidade de evento semelhante voltar a acontecer, agora por Darque: “Desde a primeira hora que a Junta de Freguesia se disponibilizou para colaborar com a SIRD na organização do Skate & Music Fest (…) Sendo uma atividade organizada por uma associação de Darque, não poderíamos deixar de colaborar. A colaboração foi basicamente ao nível de meios logísticos, no transporte e cedência de alguns materiais necessários para a realização de um evento que consideramos ter sido uma aposta ganha, a repetir e replicar em Darque, aliando este ou outro(s) desporto(s).”
