O que se segue não passará de um texto acerca de outros textos. Corresponderá a expressão de reconhecimento, ainda que tentada, não se sabe se conseguida.
Muitos lhe pedem, quase exigem, que passe a livro o que hoje está em mural. Que não se pense que é apenas sobre o que tínhamos que vivem os escritos do Fernando Lima. O presente não é esquecido, nem há modernidade que o acanhe. Também ele é criador de conteúdos digitais. Ainda assim, aceite-se que é do passado local que mais se discorre.
O Fernando apresenta-nos Darque e a antiguidade. Promove a terra que foi e o que nela (não) havia. Celebra o nostálgico e a importância do vivido e experimentado. Não é anormal que sobressaia a saudade até da história que não foi nossa. Através da escrita fluida, nada rígida, que habilmente transmite as ideias e as imagens ambicionadas, sobram e ficam os relatos. Com mestria, o Fernando seleciona os termos, aproveita as palavras e não enjeita o humor, conferindo espontaneidade. Com facilidade, incita quem o lê a voltar no tempo, a retornar aos locais, aos convívios, aos contextos e à proximidade refeita pelas descrições. Imaginamo-nos, com regularidade, nos lugares revisitados, diante das pessoas enunciadas, tamanha a exatidão da narrativa.
Ainda que relidos, textos assim serão sempre mais do que ajuntamentos de palavras. Terão de equivaler a reportagens realistas, que validam memórias que não param de surgir.
