Várias entidades do Minho e Galiza uniram-se com vista à implementação de um projeto piloto que passa por uma ligação ferroviária entre Vigo e Viana do Castelo, servindo os principais parques empresariais da região, nomeadamente no transporte de milhares de pessoas que neles laboram.
Passará, basicamente, pelo aproveitamento do troço ferroviário existente, mas haverá situações, como em Viana do Castelo, em que se pretende uma ligação, com cerca de 8 kms, para ligação a parques empresariais.
A informação foi transmitida hoje por Xoan Vázquez Mao, secretário-geral da associação Eixo Atlântico, durante a apresentação do relatório “Infraestruturas Rodoviárias e Ferroviárias na Eurorregião” que decorreu nos Paços do Concelho de Viana do Castelo.
Na altura, ficou também a saber-se que, no âmbito da linha de alta velocidade entre Porto e Valença (por Braga), haverá uma nova ponte ferroviária (que poderá, mais tarde, ser também rodoviária) sobre o rio Minho, entre Valença e Tui. O prazo de conclusão desta ligação ferroviária é o de 2032, um “prazo curto e ambicioso”, como admitiu Luís Nobre, presidente do Eixo Atlântico e da Câmara Municipal de Viana do Castelo.
O galego Francisco Gil Fernández, autor do relatório, deu conta das cinco áreas de atuação previstas no relatório, nomeadamente a alta velocidade entre o Porto e Valença, numa extensão com cerca de 115 kms. A Fase 1 da linha implica a construção do troço Porto – Aeroporto Sá Carneiro (Lotte A), com 15 km, e Braga – Valença (Lote B), numa extensão de 70 km. A Fase 2, com 22 km, ligará o Aeroporto Sá Carneiro ao ramal de Braga (Nine). As estimativas apontam, após a conclusão da Fase 1, um tempo de viagem de 60 minutos, diminuindo pata 50 quando a Fase 2 estiver também operacional.
Na oportunidade, à semelhança de Xoan Vázquez Mao e Luís Nobre, Francisco Gil Fernández observou que “em Portugal, os objetivos cumprem-se com mais rapidez do que na Galiza”. A Eurorregião tem uma dotação na ordem dos 4, 7 mil milhões, dos quais 3, 2 mil milhões são para Portugal. O troço de alta velocidade entre o Porto e Aveiro (Oiã), com 71 kms de extensão, com vários túneis e viadutos, implica 60% do orçamento.
Luís Nobre fez questão de vincar a ideia de que a concretização do referido no documento do Eixo Atlântico passa pelas vontades políticas, disponibilidade económica, tramitação administrativa (diferente entre Portugal e Espanha) e complexidade da obra. Considerou, ainda, ser determinante o acordo entre os governos dos dois países para a prossecução das obras.
